O consumo de produtos contrabandeados e/ou falsificados é uma prática que parece arraigada entre os brasileiros. Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), o Paraná é o segundo Estado que mais consome esse tipo de item, atrás apenas de São Paulo. A facilidade de ingressar no mercado estadual, uma vez que as principais portas de entrada são a fronteira com o Paraguai e o Porto de Paranaguá, ajuda a explicar a demanda, mas também escancara um outro problema: a falta de fiscalização.
O combate à pirataria não é tarefa simples. Exige investimentos vultosos, tanto em tecnologia como em pessoal – mas os recursos sempre parecem escassos. No entanto, a falta de verba não pode continuar a ser usada como uma desculpa para os poucos investimentos na área até mesmo porque os prejuízos chegaram a R$ 100 bilhões no ano passado, segundo estimativa da ABCF. É uma quantia significativa para continuar a ser negligenciada pelo governo.
Além disso, há outros pontos – que demandam menos recursos – e que também deveriam ser melhor trabalhados. O primeiro deles, e talvez mais simples, é a conscientização dos consumidores. O baixo custo desses produtos não pode ser justificativa para o seu uso. São itens de baixa qualidade, que em muitos não funcionam, e que também podem provocar danos à saúde, no caso de óculos e calçados, por exemplo. Importante ainda lembrar que o consumo de pirataria alimenta uma grande cadeia criminosa.
A importação clandestina desses itens ou até mesmo a sua fabricação pode ser enfrentada por meio da redução de impostos. A carga tributária nacional é a maior da América Latina e uma das maiores do mundo e, devido à gritante diferença de preços, muitos consumidores acreditam que a compra é vantajosa. Se os valores fossem menores, dificilmente tantas pessoas optariam pelo contrabando.
O problema é complexo e o combate exije uma atuação conjunta de vários órgãos. Somente se houver o envolvimento e o comprometimento de todos é que a prática será reduzida.

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