Contrabando de cigarros: um crime nada insignificante
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
O mercado ilegal de cigarros atingiu índices estarrecedores no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope, 54% de todos os cigarros vendidos no País são ilegais, índice que aumenta quando se trata do Paraná, estado onde a circulação do produto contrabandeado chega a 59%. A proximidade com o Paraguai explica a participação acima da média, pois a maior parte do cigarro contrabandeado consumido por aqui vem do país vizinho.
O contrabando de cigarros cresce a cada ano no Brasil. Ainda conforme a pesquisa, de 2018 em relação ao ano anterior, o aumento na participação de cigarros ilegais no mercado brasileiro subiu seis pontos percentuais. Desse total, 50% foram contrabandeados do Paraguai e 5% foram produzidos por empresas que operam irregularmente no País.
É estarrecedor também o prejuízo que a ilegalidade no setor de cigarros causa aos cofres públicos. Um exemplo é o Paraná, que deixa de arrecadar cerca de R$ 292 milhões em ICMS. Segundo a pesquisa, pela primeira vez desde 2011, a evasão de impostos no País que deixam de ser recolhidos em função do mercado ilegal de cigarros (R$ 11,5 bilhões) será maior do que a arrecadação (R$ 11,4 bilhões). Um valor que poderia ser revertido para reforçar projetos nas áreas de segurança pública, moradia e educação.
As grandes cidades são as que mais consomem esse tipo de produto e engana-se quem pensa que as carteiras contrabandeadas são vendidas apenas por ambulantes nas ruas. Muitos bares que comercializam marcas regulares também vendem os cigarros ilegais - segundo a pesquisa, 25 mil estabelecimentos espalhados em municípios da Região Sul do Brasil.
A diferença na cobrança dos impostos no Paraguai e no Brasil afetam o preço final tornam o produto estrangeiro sedutor para o bolso do brasileiro. Mas ao contrário do que muita gente pensa, a compra e a venda de cigarros contrabandeados não são delitos sem importância. E suas consequências não se resumem no prejuízo financeiro ao País ou aos problemas que esse produto sem registro causa à saúde de quem o consome. O País precisa se estruturar para combater o contrabando por meio de forças policiais, mas a população tem que se conscientizar para sua responsabilidade nesse cenário, lembrando que quem compra cigarro contrabandeado está financiando também quadrilhas que atuam no tráfico de drogas e armas.



