Se, por um lado, deve ser aplaudido o projeto do governador Roberto Requião de reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), há discordâncias quanto a um contrabalanço com o aumento de impostos em outros setores. Redução tributária é sempre uma sábia providência, porque a extinção de alguns tributos e a baixa de alíquotas acaba resultando em aumento da própria receita, pelo crescimento de vendas. Mas esta é uma doutrina que os governantes não adotam, por não alcançar a sabedoria desse princípio.
  Com razão, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e a Associação Comercial do Paraná, se aprovam a proposta do governador, propõem a introdução de salvaguardas, ou seja, que se a arrecadação do Estado aumentar, sejam reduzidas as alíquotas do ICMS que subiram. Uma possibilidade descartada de pronto pela Secretaria da Fazenda. O plano governamental visa reduzir o custo dos produtos de maior consumo popular, mas não há garantia de que, baixando imposto, o comércio repasse esse benefício ao consumidor.
  Se quando há alta na tributação esse repasse é imediato para os preços,
o mesmo não acontece em contrário, porque a maioria dos comerciantes parece ainda não haver entendido que preço baixo aumenta as vendas e, portanto, o lucro. Governo e empresários precisam chegar a um entendimento, porque poucos acreditam em resultado final favorecendo o consumidor com a baixa do ICMS. É certo que a elevação de outros tributos recairá sobre o bolso do povo. Itens como energia elétrica, combustíveis e telefonia (que teriam imposto aumentado) afetam diretamente a todos. O ideal é baixar impostos e diminuir o custo da estrutura governamental, mas esta é uma fórmula não cogitada pelos governantes e nem pelo socialista Requião. O poder público precisa, sim, pensar em maneiras de enfrentar a situação delicada do momento, que evidencia a possibilidade de crise (por ora só manifestada em alguns pontos), mas será preciso atentar que a grande alternativa é não gastar com o desnecessário, que reside no inchaço de seu próprio custo.
  Tirar de um imposto e fazer reposição em outro é como o sobe-e-desce da gangorra. Onde há a tirar é do Governo (entenda-se de seus gastos com a luxúria do sistema) e repassar isto para o benefício dos negócios e, por natural resultante, do povo.

mockup