Revistar as mochilas dos alunos para impedir a entrada de armas e de drogas nas escolas. Controlar o número de filhos. Responsabilizar os pais pelos crimes cometidos por crianças e adolescentes. Estas são algumas das polêmicas propostas do diretor de escola particular em Londrina Virgílio Tomasetti. A indignação do educador é consequência do aumento do número de crimes graves cometidos dentro dos muros escolares.
Nos últimos meses, episódios de violência cometida por alunos assustaram a opinião pública. Casos como o do menino de 9 anos que morreu com um tiro na cabeça em Embu (SP) ou do outro, da mesma idade, que foi vítima de disparo enquanto brincava de roleta russa em Caratinga (MG). Também repercutiu a morte do professor de Belo Horizonte (MG), assassinado por um aluno insatisfeito com suas notas.
Afinal, o que há em comum entre os casos citados na entrevista concedida pelo diretor Virgílio Tomasetti à repórter Paula Costa Bonini, na matéria ''É preciso acabar com o excesso de paternalismo'', publicada ontem na página 3 (Opinião). Para o entrevistado, o problema do País é a falta de punição para quem comete ou é conivente com crimes. ''Os crimes poderiam ser evitados se as leis não fossem tão estúpidas no Brasil'', diz ele.
E ele aponta soluções, algumas polêmicas. É o caso da revista das mochilas dos estudantes. Críticos apontam que a medida é arbitrária e representa uma invasão à intimidade dos estudantes. Tomasetti alega, porém, que a revista já é comum em shows e em estádios de futebol, por exemplo, e nem por isso há reclamações, uma vez que o intuito é garantir a segurança dos frequentadores.
Outra cobrança é em relação à responsabilização dos pais por crimes cometidos pelas crianças e adolescentes. Esta é, segundo Tomasetti, para alertá-los que ter filhos é uma grande responsabilidade e a educação dos filhos exige responsabilidade. Um dever que não pode ser terceirizado. Muita tolerância significa omissão e a omissão das autoridades é intolerável.

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