Dois cargueiros Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) pousaram ontem no Paraná para levar às penitenciárias federais de Mossoró (RN) e Porto Velho (RO) 38 presos que cumpriam pena no Paraná e que seriam líderes de facções criminosas. A transferência dos detentos aconteceu logo após o governo estadual detectar sinais de que Estado poderia ser o próximo alvo de ataques orquestrados da bandidagem, como aconteceu em São Paulo e, mais recentemente, em Santa Catarina.
O próprio governador Beto Richa se empenhou pessoalmente junto ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para a liberação dos aviões da FAB. A primeira preocupação das autoridades de segurança do Paraná e do governo federal foi isolar esses detentos de alta periculosidade nas penitenciárias do Norte e Nordeste, dificultando o contato deles com integrantes das facções que estão fora dos presídios, justamente cumprindo a tarefa de realizar os ataques.
Autoridades ligadas ao setor de segurança do Estado não confirmaram que as mortes de agentes penitenciários e os incêndios a ônibus ocorridos recentemente no Paraná motivaram o pedido de transferência. Há denúncia da existência de uma lista de 22 agentes penitenciários que estariam marcados para morrer. Porém, fontes da Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp) disseram que os sinais de possíveis ataques do crime organizado foram percebidos devido a ‘’movimentos anormais’’ dentro dos presídios.
O combate ao crime organizado é difícil e passa por uma discussão bem maior, como o aperfeiçoamento da legislação, definindo esses grupos conforme a Convenção de Palermo. No Brasil, membros dessas facções têm sido tratados simplesmente como integrantes de quadrilhas ou bando, punível hoje com prisão de um a três anos. Uma nova legislação poderia aumentar a pena dos envolvidos com organizações criminosas.

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