Campanha bem-humorada lançada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo chama atenção para a tentativa de o governo federal de aumentar ainda mais a carga tributária. Intitulada "não vou pagar o pato", a intenção é colher assinaturas em um manifesto contra o aumento de impostos e a volta da CPMF – que ficou conhecida como o imposto do cheque.
Os argumentos são sólidos e pretendem alertar a sociedade para "a conta" que tem sido imposta pelos governos à população. "Toda vez que precisa cobrir seus gastos, em vez de cortar despesas, o governo acha mais fácil passar a conta adianta. Adivinha para quem sobra? Isso mesmo: para as empresas e trabalhadores, que já vêm sofrendo com o aumento da inflação, dos juros, da taxa de câmbio e das tarifas de energia".
Além disso, alerta para os efeitos nocivos que um aumento de impostos neste momento pode provocar: o fechamento de um grande número de vagas de empregos. Sem trabalho, as famílias reduzirão o consumo, o faturamento das empresas cairá, as demissões aumentarão mais e o governo arrecadará menos. De fato os brasileiros não conseguirão suportar mais um aumento de impostos.
Levantamento da Fundação de Estudos Financeiros e de Contabilidade, ligada à Universidade de São Paulo, indica que no ano passado os tributos ficaram com 40% de toda a riqueza produzida pelas empresas. Para se ter um comparativo, os trabalhadores receberam sob forma de remuneração 24% de toda a riqueza gerada. É um índice desproporcional e que "suga" a economia como um todo. Outro estudo, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, aponta o Brasil na última colocação em um ranking de 30 países que mediu o retorno oferecido em termos de serviços públicos de qualidade à população em relação ao que o contribuinte paga em impostos. O País ficou
na "lanterninha" da lista pela quinta vez consecutiva.
Está na hora de os brasileiros se organizarem contra iniciativas como essas tomadas pelos governos. Além de assistir sucessivos escândalos de corrupção e de casos de enriquecimento ilícito por parte de agentes públicos, a sociedade não pode continuar a aceitar pagar o pato, sempre.

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