Contra a violência policial
O "clima de guerra" tomou conta ontem do Centro Cívico de Curitiba. Confronto entre Polícia Militar e manifestantes a maioria servidores públicos e professores terminou com um saldo de mais de 200 feridos e 7 presos. O uso da força policial para afastar a aglomeração de pessoas e impedir o acesso ao prédio da Assembleia Legislativa já tinha sido utilizado na terça-feira, mas ontem a tensão aumentou. Foram utilizados gás lacrimogênio, balas de borracha, cães e jatos d'água para dispersar os manifestantes.
Os servidores protestavam contra o projeto encaminhado pelo governo do Estado que prevê mudanças na ParanaPrevidência. Conforme a proposta, o pagamento de 33,5 mil servidores com idade acima de 73 anos completados até o próximo dia 30 de junho passará a ser realizado pelo Fundo Previdenciário. A mudança desses inativos, que hoje são pagos pelo tesouro estadual, permitirá uma economia de R$ 125 milhões por mês ao caixa do governo.
Os atos desta semana são uma continuação da greve do funcionalismo deflagrada em fevereiro por conta desse projeto que prevê mudanças na ParanaPrevidência e pelo atraso no pagamento de benefícios. Naquele mês, a Assembleia foi ocupada pelos professores, que conseguiram adiar a votação das mudanças no fundo previdenciário estadual. No entanto, ontem mesmo com os protestos o projeto foi aprovado e seguirá para sanção do governador.
O uso da violência nunca deve ser aceito e utilizado como argumento para repressão de manifestações pacíficas. No caso específico de ontem, eram policiais contra professores e servidores em sua maioria. É correto afirmar que entre os manifestantes estavam alguns "black blocs", que costumam praticar atos de vandalismo, mas eram poucos perto do total de servidores. O diálogo respeitoso ainda é a melhor conduta a ser adotada. É sinal de maturidade democrática.





