CONTO DO VIGÁRIO - E-mail divulga falsa cura do câncer
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quinta-feira, 08 de maio de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Está circulando um e-mail sobre uma vacina contra o câncer de rim e melanoma. Usando o nome de instituições renomadas, a mensagem coloca a vacina como sendo a certeza de cura. Quando se busca mais informações, descobre-se que não é bem assim. A vacina ainda está em fase de pesquisas e não dispensa o tratamento convencional.
Em Londrina uma clínica participa de estudos sobre uma outra vacina contra vários tipos de câncer Mário Liberatti, oncologista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é um dos médicos que participam da pesquisa.
Como funciona esse tratamento que está circulando na internet?
É uma vacina que foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como tratamento alternativo, mas que ainda não é recomendada pela Sociedade Brasileira de Melanoma, pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, porque não passou por todas as fases de teste exigidas para comercialização.
Existem outras vacinas contra o câncer?
Sim, não exatamente para melanoma. Nos Estados Unidos existem somente duas licenciadas na área de oncologia, para prevenção. Há a vacina para a hepatite B, cujo fator de risco está relacionado ao hepatocarcinoma, ou seja, o câncer de fígado. E existe a vacina contra o papiloma vírus humano (HPV), que está relacionado ao câncer de colo de útero. Existem outras em fase de pesquisa. Uma droga para chegar a ser usada passa por várias fases de estudo e isso demora 10, 12 anos.
Como é feita uma vacina contra o câncer?
Ela é produzida de uma amostra do próprio tumor do paciente, que é encaminhado para o laboratório que faz a vacina. Esse material é preparado e depois aplicado no paciente. Sendo produzida com o material do próprio paciente, quando aplicada induziria uma resposta do organismo contra o tumor.
Então, a vacina não vai imunizar?
Não, é um tratamento. Existem outras vacinas na oncologia, usadas para melanoma também, a chamada imunoterapia na área do câncer, em que se induz uma resposta não especificamente contra o tumor.
Qualquer pessoa pode fazer esse tratamento?
Segundo o laboratório, ele se aplica a pacientes com melanoma ou tumor de rim em fase avançada. Até porque um fragmento do tumor precisa ser retirado e enviado ao laboratório para a confecção da vacina.
O tratamento é feito somente com essa vacina?
O uso da vacina não impede o tratamento com a droga convencional, com a quimioterapia ou com a própria imunoterapia inespecífica.
O senhor conhece alguém que tenha feito o tratamento?
Eu acompanhei uma paciente de Cambé, que teve resposta negativa, e sei de um paciente meu, que depois de muito insistir, eu prescrevi e não teve resposta nenhuma.
Como é a vacina que a clínica está pesquisando?
É um estudo clínico, multicêntrico e multinacional. O paciente assina um termo de consentimento que vai passar por uma pesquisa química e recebe a vacina. Os dados são enviados para um comitê de avaliação independente que analisa todos os dados e depois vai publicar se houve benefícios ou não. Não temos dados definitivos ainda.
Qual a recomendação que o senhor dá para as pessoas que recebem esses e-mails?
Que o paciente procure fazer os tratamentos que já estejam aprovados por orgãos regulatórios - no Brasil, a Anvisa; e nos Estados Unidos, o FDA -, porque esses orgãos só aprovam a comercialização de uma droga quando foi comprovado cientificamente o seu benefício. Tratamentos alternativos são por conta e risco do paciente, mas ele precisa ser orientado quanto a isso.


