CONTABILIDADE - Uma vacina contra a burocracia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Kellen Lopes<br>Especial para a FOLHA 
A realização do sonho de ser dono do próprio negócio pode acabar em frustração e dívidas. Abrir uma empresa é um processo burocrático, que exige planejamento, orientação e atenção. Por isso, a busca pelo caminho seguro deve estar aliada a figura do contador. Em entrevista à FOLHA, o presidente do Sindicato dos Contabilistas de Londrina e Região (Sincolon) e Secretário da Federação dos Contabilistas do Paraná (Fecopar), Paulino José de Oliveira, fala sobre a estreita relação da contabilidade com as empresas, diante do emaranhado de Leis e normas estabelecidas pelo governo.
Qual o papel da Ciência Contábil na sociedade?
Zelar pelo patrimônio, orientando o empresário sobre como investir seus recursos sem tirar os olhos de toda a legislação existente, seja patrimonial, tributária, trabalhista, societária e fiscal.
Como o senhor classifica a importância do contador para a economia do País?
Cerca de 80% das informações que o governo possui sobre as empresas é repassada por este profissional. Com isto ganhamos prazos menores, menos multas por atraso na entrega de declarações. Imaginem o que aconteceria na economia nacional caso os profissionais contábeis cruzassem os braços por apenas 60 dias? Deixo a dúvida para a população e o governo analisarem. Talvez o resultado catastrófico aponte nossa real importância.
Como deve ser a relação entre contador e cliente?
O contador é o médico da empresa, e a relação entre ele o cliente precisa ser de total confiança e transparência. Só assim o contador poderá orientar corretamente o seu cliente, fornecendo-lhe assessoria correta.
Quais as principais dificuldades do empresário?
Adaptar-se à nova realidade da humanidade tem exigido decisões rápidas e mudanças drásticas de comportamento no mercado. Isto fez com que o empresário voltasse o foco para o seu negócio, preocupando-se com concorrência, qualidade no produto, preço. O contador, por sua vez, deve mostrar a realidade econômico-fiscal da empresa, oferecendo ao empresário as informações precisas para que ele tome decisões com velocidade e segurança.
Como os contadores, de modo geral, têm encarado a atual legislação?
Os problemas, geralmente, estão relacionados ao fisco. O governo emite milhares de normas, regras e portarias deixando o contador refém destas informações. O novo Código Civil coloca o contador como co-responsável pelas ações da empresa, fator que dificulta o exercício da sua principal função, que é assessorar e orientar o cliente no desenvolvimento de sua atividade mercantil.
De que forma o sindicato trabalha as necessidades da classe?
Essas necessidades podem ser desmembradas em dois grupos: diretas (informação, atualização constante e desenvolvimento profissional) e indiretas (desburocratização e simplificação de rotinas). Para as necessidades diretas, o Sincolon oferece cursos, treinamentos e palestras de forma a manter o profissional atualizado. No caso das indiretas, o sindicato representa a classe junto aos diversos órgãos públicos. Hoje o mercado da contabilidade é muito amplo e não se limita à contabilidade profissional. Abrange também consultorias, assessoria trabalhista, previdenciária, tributária, além das perícias e auditorias.


