A manchete da edição de ontem desta FOLHA fez o alerta: os brasileiros estão menos preocupados em levar para suas casas produtos ambientalmente sustentáveis. O estudo mostrou que o número de consumidores indiferentes à preservação do meio ambiente tem aumentado.
Para explicar tal fenômeno, os institutos de pesquisa indicam a chamada ''festa do consumo'', insuflada pelo crescimento da classe C, pelo aumento de renda da classe D, pela democratização do acesso ao crédito, entre outros fatores, a partir de 2003.
A renda média do brasileiro pulou de R$ 6,8 mil/ano (2000) para R$ 17,5 mil (2010). Os rendimentos dos 10% mais pobres cresceram 8% ao ano até 2008, enquanto a dos 10% mais ricos subiu 1,5% ao ano.
A melhora na renda brasileira, assim como o aumento do poder de consumo das classes C e D, traz resultados positivos para toda a economia. Com trabalho, o brasileiro compra mais, melhorando os resultados do comércio, aumentando os pedidos às indústrias, que criam novos postos de trabalho. Essa é a forma mais acertada de desenvolvimento econômico.
Mas então não estaria faltando uma fórmula bem definida de melhorar a relação consumo e sustentabilidade? Uma saída seria intensificar nas escolas a formação da consciência ambiental, formando consumidores mais críticos. Não basta apenas comprar, é importante consumir com consciência. Dessa forma, todos saem ganhando.
Principalmente porque, mais do que ser politicamente correto, respeitar a natureza representa lucro, como bem mostrou o repórter Luciano Augusto. Na casa de uma família londrinense, na qual moram pai, mãe e dois filhos, foram aplicados conceitos de sustentabilidade desde o início da construção. O imóvel tem cisternas para armazenar a água da chuva, aquecedor solar, ambientes com grandes janelas, para aproveitamento da luz natural.
O resultado pode ser sentido no fim do mês, quando chegam as contas de luz e água. Ainda que o imóvel tenha 580 metros quadrados os valores não chegam a R$ 160 e R$ 30, respectivamente. Um alívio quando as tarifas públicas representam tanto no orçamento familiar.

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