Consumo em alta
O início do segundo semestre contribuiu para que os empresários mantenham o otimismo, apesar da crise econômica mundial. Pesquisa da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR) aponta que 58,27% dos entrevistados estimam aumento das vendas na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os otimistas, a maioria (54,79%) projeta crescimento de 5% a 10%. Somente para o Natal, a previsão é de um aumento de 8% nas vendas. Historicamente o movimento no comércio aumenta no segundo semestre. Além do otimismo, que também é maior entre os consumidores, há a injeção do 13º salário dos trabalhadores formais.
No entanto, é importante ressaltar que a expectativa é positiva, mas menor que o nível atingido no início do ano, cujo índice foi de 71%. A despeito do atual cenário econômico (crise europeia e estagnação econômica nos Estados Unidos e na China), os empresários ainda declararam enfrentar entraves como carga tributária e encargos sociais elevados, o que não é novidade. O adiamento das reformas, sem dúvida, contribui para a estagnação de vários segmentos do setor produtivo, uma vez que os próprios consumidores já se deram conta de um cenário de incertezas.
Matéria publicada no início desta semana aponta para um recorde na captação da poupança. O volume arrecadado em julho foi de cerca de R$ 3,6 bilhões, montante 25% maior do que o recorde anterior, registrado em 2010. Uma das explicações para esse aumento é a composição de um cenário de incertezas, mas que não chega a prejudicar o consumo. O ponto positivo é que há uma conscientização sobre as compras. Inadimplência alta, como também já apontam as pesquisas, não é interessante para nenhum elo da cadeia.
No entanto, talvez esse seja o período de intensificar as discussões em torno da necessidade das reformas tributária e trabalhista. Para manter a produção competitiva, é importante que sejam promovidas mudanças efetivas. Iniciativas pontuais do governo resolvem o problema a curto, mas definitivamente não são a solução.





