Consumo em alta
O brasileiro está consumindo. Estudo do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), divulgado na última sexta-feira, revela que as vendas reais (descontadas a inflação) do varejo brasileiro cresceram 7,5% no ano passado com relação a 2009. O índice é um pouco maior que o dobro do crescimento registrado em 2009 na comparação com 2008. O instituto representa as principais redes do setor, hoje presentes em praticamente todo o País. Para este primeiro trimestre a expectativa é positiva: aumento de 9,2% sobre o mesmo período do ano passado.
Por segmentação, as estatísticas mostram que as vendas avançaram mais no setor de bens não duráveis, como supermercados, hipermercados, farmácias, drogarias, perfumarias e alimentação fora do lar com alta de 13,2% em dezembro, ante o mesmo mês de 2009. Já o varejo de bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e material de construção, cresceu 9,2% no período. O segmento de bens semiduráveis, composto pelos setores de calçados, vestuário, livrarias e artigos esportivos, cresceu 8,2% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2009.
Os dados revelam que o consumo está aquecido. Economia favorável, emprego em alta e inflação estabilizada contribuíram para liberar a demanda há anos reprimida. E, dessa forma, não há como não afirmar que a qualidade de vida da população em geral apresentou significativa melhora. As classes C e D ganharam poder de compra e entraram em um mercado antes adormecido.
Contudo, a autoridade monetária do País tem considerado o início de uma inflação, chamada por demanda. No entanto, a alta da taxa Selic (fixada em 11,25% ao ano há pouco mais de dez dias) pouco deve refletir no bolso do consumidor. É claro que ninguém deseja a volta da escalada de preços registrada na década de 1980, mas isso também está longe de ocorrer. O consumo sempre feito de forma consciente é saudável tanto para empresários como para consumidores.





