Consumo e qualidade de vida
Os consumidores brasileiros estão gastando mais nas suas compras. A notícia, como mostrou esta FOLHA, é positiva. Reflete diretamente o crescimento da economia e o aumento do emprego e dos salários, influenciados também pelos programas sociais de distribuição de renda. O levantamento revelou que os consumidores estão em busca de sofisticação e praticidade.
A pesquisa mostrou que entre 2002 e 2011, os brasileiros passaram a gastar mais com alimentos, bebidas, higiene e limpeza. Há noves anos, o tíquete médio das compras que era de R$ 83,28 passou para R$ 215,15. Neste valor estão incluídos produtos até então considerados supérfluos, como iogurtes, bebidas à base de soja, sobremesas e temperos prontos e tinturas para cabelo. A situação é positiva, principalmente se considerarmos que os brasileiros têm ganhado em qualidade de vida.
Ainda contribuiu para este cenário o excesso de crédito no mercado. Nunca houve tantas facilidades na liberação de empréstimos e financiamentos, o que levou ao crescimento de uma outra fatia de consumidores: a classe C. Festejado por todo o varejo, esse público ganhou status. Com poder de compra e demanda reprimida, chegou ao mercado com força. Elevou também as vendas de produtos mais caros, como os eletrônicos, os automóveis, as motocicletas e até os imóveis. A indústria automotiva e o mercado mobiliário vêm atingindo sucessivos recordes.
No entanto, é preciso investir em educação financeira. Os brasileiros ainda não têm o hábito de poupar e de planejar o futuro. Como bem relatou o presidente da Associação Brasileira do Consumidor, Marcelo Segredo, os consumidores não projetam o custo final de cada produto e o total pago, focando apenas no valor das parcelas. Este comportamento leva ao endividamento e, por consequência, ao aumento da inadimplência.
A quantidade de calotes aplicados contra o comércio varejista tem crescido sucessivamente. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em agosto, ante julho, o índice foi de 5,14%; na comparação com o mesmo mês do ano passado, a elevação foi de 6,37%. No ano foi o sétimo aumento seguido. É uma realidade que não pode perdurar. Passada a euforia, é preciso investir no consumo consciente.





