Consumo de etanol
Para incentivar o consumo de etanol o governo federal decidiu determinar que os postos de combustível passem a informar ao consumidor quando o preço do litro do álcool estiver mais vantajoso do que o litro da gasolina. A regra, que ainda será publicada por meio de portaria, conterá detalhes sobre como deve ser a informação nos postos, o tamanho mínimo das letras e a localização dos cartazes nos estabelecimentos. Ainda não foi informado como será a fiscalização e qual órgão ficará responsável por esse trabalho.
Embora positiva porque favorece o consumidor, a medida é apenas paliativa porque não vai resolver a questão. É fato que a maioria das pessoas não costuma fazer contas para saber quanto efetivamente paga por um determinado combustível, mas certamente o reflexo é sentido no bolso. Prova disso é que no ano passado o consumo de etanol caiu 11% com relação a 2010, o que pode ser explicado pela escalada dos preços.
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo aponta que no mês passado abastecer com etanol foi desvantajoso. Na comparação com a gasolina usar o combustível derivado da cana-de-açúcar só foi compensatório em São Paulo e Goiás. O uso do álcool hidratado - o que vai diretamente no tanque - só é favorável quando o seu preço é 70% ou menos do valor da gasolina. O atual período é de entressafra, mas esse comportamento também ocorreu em alguns meses de safra.
O etanol é tecnologia nacional, tido como um combustível limpo, derivado da cana-de-açúcar. Parece absurdo que o seu preço seja mais alto ao consumidor do que o da gasolina, que vem de um combustível fóssil e que exige tecnologia para extrair o petróleo. O mercado é livre, mas também seria interessante que fossem estudadas outras medidas para conter a alta de preços e segurar variações impostas pela safra.
Não é necessário, neste momento, aumentar o percentual da mistura de etanol de 20% para 25% na gasolina, como anunciado pelo governo. Se o preço já está alto, aumentar a mistura fará com que os preços subam ainda mais, prejudicando o consumidor. Além de informar sobre o preço, também seria importante que constasse o percentual da alíquota de impostos que incide sobre os combustíveis.





