Consumo de energia e produção industrial
O pequeno aumento do consumo de energia elétrica registrado no mês passado no País corrobora o desaquecimento da economia e a queda da atividade industrial. Balanço divulgado nesta semana pela Empresa de Pesquisa Energética aponta que a demanda na indústria caiu 1,6% e fechou em queda pelo segundo mês consecutivo. O consumo nacional foi puxado pelo segmento de comércio e serviços, com alta de 6,6%. Em seguida vem o consumo residencial, com 1,7%.
Embora o governo federal tenha adotado medidas pontuais de incentivo à produção industrial e às vendas, o resultado não foi totalmente positivo. E os números começam a aparecer agora. Por exemplo, no Estado de São Paulo, que detém o maior parque fabril, houve recuo de -2,8%, fechando pelo terceiro mês consecutivo em baixa; em Minas Gerais, o desempenho foi de -5,2%. O Paraná foi um dos poucos Estados onde a demanda aumentou, embora com índice pequeno: +1,3%. No primeiro semestre, o Estado acumula alta de 2,2%.
A média do consumo tem sido puxada pelo setor comercial, com aumento acumulado de 7,3% nos primeiros setes meses do ano. Mesmo assim, o ritmo está menor do que o verificado no mesmo período de 2011. No mês passado foram incluídas cerca de 150 mil novas unidades consumidoras, enquanto em julho de 2011 foram 214 mil ligações. Desta forma, cabe a conclusão de que novos investimentos no setor têm ocorrido mais suavemente. As reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que desonerou móveis, eletrodomésticos e automóveis beneficiaram o comércio, mas não as indústrias. Além disso, pesquisa que mede o Índice de Confiança do Comércio, realizada pela Fundação Getúlio Vargas, aponta que o empresariado ainda mantém dúvidas sobre o comportamento da demanda doméstica.
A análise de vários indicadores reforçam que o momento pede cautela. O Brasil já começou a sentir os reflexos da crise econômica internacional e, ao que tudo indica, é preciso mais assertividade nas medidas de incentivo à produção industrial.





