O consumo de cocaína no Brasil é quatro vezes superior à média mundial. A informação divulgada esta semana pelo Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, da Organização das Nações Unidas (ONU), é motivo de grande preocupação para os setores de saúde, educação e segurança. O estudo realizado pela entidade mostrou que o consumo do entorpecente no País dobrou em menos de dez anos.
Em 2005, segundo o Conselho, 0,7% da população entre 12 e 65 anos consumia cocaína no Brasil. Ao fim de 2011, a taxa chegou a 1,75%. De acordo com os dados da ONU, o consumo brasileiro é bem superior à média mundial, de 0,4% da população, à média da América do Sul, com 1,3%, e da América do Norte, com 1,5%.
Para a entidade, esse aumento aconteceu porque o Brasil passou a ser um mercado fundamental para o narcotráfico. Além disso, o País se consolidou como importante rota da cocaína dos Andes para a Europa. Tanto que a polícia brasileira tem feito grandes apreensões de cocaína a partir de carregamentos vindos da Bolívia, Peru e Colômbia. Segundo o relatório da ONU, o Peru se consolidou como líder no cultivo da coca na América do Sul, com 45% da produção, seguido pela Colômbia (36%) e Bolívia (19%).
O Conselho da ONU também está preocupado com um possível aumento na produção da maconha na América do Sul. Os pesquisadores estimam que 14,9 milhões de pessoas fazem uso da maconha no continente, sendo a droga mais consumida por aqui.
O aumento significativo do número de brasileiros usuários de cocaína e outras substâncias ilegais é um sinal de alerta importante. Por que os programas de prevenção não funcionam? Antigamente, a distribuição de folhetos explicativos nas saídas das escolas informando o perigo do uso de entorpecentes era comum. Mas hoje, a comunicação com as crianças e jovens tem que ser diferente e começar mais cedo.
A grande maioria dos adolescentes é bem informada sobre drogas e muitos jovens sabem mais do assunto que os próprios pais. São muitos os fatores que os levam para a droga, entre eles, a pobreza, a marginalização e a pressão do meio em que o jovem está inserido. Educação, autoestima em alta, uma vida saudável e produtiva são formas de mantê-los longe de drogas. Cabe à família, à escola e ao poder público pensar em ações que busquem essas condições.

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