Consumo de álcool e comportamento
O consumo de bebidas alcoólicas está inserido na cultura nacional.
Socialmente aceito, o álcool é uma das poucas substâncias utilizadas pelas
pessoas em momentos de alegria, descontração, tristeza e dor. Esses
hábitos foram criados a partir da falsa ilusão de que a bebida leva
ainda que momentaneamente ao esquecimento de problemas ou ao aumento da
felicidade. No entanto, o consumo tem aumentado significativamente ao
longo dos anos entre homens, mulheres e jovens de todos os níveis sociais.
É fator de preocupação porque o álcool provoca sérios danos tanto para os
consumidores como para seus familiares. Pesquisa divulgada semana passada
pela Universidade Federal de São Paulo aponta que 8% dos entrevistados que
bebem frequentemente admitiram que o uso de álcool já teve um efeito
prejudicial no trabalho e 9% relataram que houve prejuízo à família ou ao
relacionamento. Estudo do Ministério da Saúde, apresentado em fevereiro,
indica que 21% dos acidentes de trânsito estão relacionados ao consumo de
álcool e uma em cada cinco vítimas de acidentes de trânsito atendidas nos
prontos-socorros do País estava sob efeito de bebida alcoólica.
Nesse estudo, a única boa notícia é que as políticas de "Lei Seca" no
trânsito têm apresentado resultados positivos. Em seis anos, houve uma
queda proporcional de 21% entre os que admitem ingerir bebida alcoólica e
dirigir. Eram 27,5% dos entrevistados em 2006 e agora são 21,6%. A queda
maior de 19% - foi registrada entre os homens, embora eles ainda são
maioria entre os que infringem a lei.
Como aparentemente o mercado do álcool não foi reduzido, a conclusão óbvia
é a que é preciso melhorar as ações de políticas públicas. Campanhas de
educação e conscientização sempre são as melhores alternativas porque
produzem resultado a longo prazo. No entanto, o governo não deve ser o
único responsável. É preciso que os pais deem exemplo e não sejam omissos
na educação de seus filhos. Participar da vida de crianças e adolescentes
e impor limites são cuidados básicos que não podem ser dispensados.





