Consumo de álcool
Mesmo proibida para menores, a ingestão de álcool entre adolescentes vem crescendo nos últimos anos. Em seu artigo 81, o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a venda de bebidas alcoólicas para crianças (até 12 anos) e adolescentes (de 12 a 18 anos), mas não é exagero afirmar que essa lei praticamente não é cumprida. Aceitação cultural aliada à falta de fiscalização contribuem para que os menores tenham acesso fácil à bebidas alcoólicas.
No entanto, o que a sociedade parece ignorar são os riscos do consumo precoce. Estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo em dez Estados mostrou que 19% dos jovens entre 10 e 18 anos tomavam bebida alcoólica mais de seis vezes por mês, enquanto 12% dos entrevistados afirmaram consumir mais de 20 vezes por mês. Se o consumo é alto, não há como não relacionar ao fácil acesso. Resultado da falta de fiscalização.
Há necessidade de controle por meio de fiscalização constante. Este é um trabalho árduo que não pode ser mais postergado. Comerciantes que não respeitam a lei devem ser punidos, enquanto a família precisa ser orientada sobre os riscos do consumo precoce. A exposição do cérebro ao álcool aumenta o risco de desenvolvimento de dependência em pessoas suscetíveis e pode provocar atrasos no campo do cérebro relativo à tomada de decisões. Além disso, aumenta a vulnerabilidade para infecções sexualmente transmissíveis, pela ausência do uso de preservativo nas relações; violência e acidentes. As estatísticas oficiais comprovam essa afirmação. A incidência de aids entre jovens, por exemplo, vem crescendo; frequentemente são registrados acidentes provocados por pessoas alcoolizadas.
Outro fator importante é que o álcool é considerado ''porta de entrada'' para as drogas. Quase 100% dos jovens dependentes químicos fazem uso simultâneo de bebidas alcoólicas. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que o alcoolismo é a segunda causa de morte evitável em todo o mundo, atrás apenas do tabagismo. Além disso, estimativas indicam que 4% das mortes ocorridas no mundo (cerca de 2,5 milhões de pessoas) são ocasionadas pela bebida, sem considerar crimes passionais e acidentes de trânsito potencializados pelo seu uso. Todos esses dados mostram que é preciso o planejamento e desenvolvimento de um trabalho mais efetivo baseado em educação, prevenção e fiscalização. Não há mais como adiar isso.





