No Brasil, a ascensão de categorias de consumidores das classes pobre e média, puxa o aumento da demanda. No mundo, legiões de seres famintos ganham acesso ao consumo, através de programas sociais ou por melhorias conjunturais, como no Brasil. A fome no mundo sempre foi um problema de distribuição da riqueza e não, necessariamente, de falta de oferta, ou seja de produção. Verdade ou mentira? Verdade.
  Mas isto começa a mudar. Os limites (necessários) de ordem ecológica; a falta de sustentabilidade, nem sempre justificável; a falta de infraestrutura em países produtores; a baixa adoção (e acesso) da tecnologia. São fatores que vão limitando o uso da imensidão de terra agricultável. Em algumas regiões a fronteira agrícola não pode avançar, sob pena de gerar conflito ecológico. E a irrigação, apesar da disponibilidade de água, já tem suas limitaçãoes, partindo do princípio que lida com recurso finito. Tudo isso para não falar de mudanças climáticas e de um um solo quase exaurido.
  Estamos à beira de uma nova ordem agroclimática, agroindustrial. Acentuam-se os conflitos entre a necessidade da produção em escala (o mundo precisa comer), e o império dos limites no uso dos meios de produção (o mundo precisa sobreviver).
  Tudo isso no médio e longo prazos, mas não mais de 10 anos. Em paralelo a tantas variáveis, aparentemente sem equação imediata, surgem novas dúvidas. Para o chamado curto prazo, um novo panorama no mercado internacional de produtos agrícolas está em formação com a emergência de milhões de novos consumidores de alimentos e a crescente demanda de segmentos industriais, como o químico. Isso exigirá do Brasil planejamento estratégico, um conjunto de ações de longo prazo, coordenado pelo Estado, que defina políticas para o desenvolvimento do setor, responsável por 40% do PIB brasileiro, afirmam especialistas. Na mesma equação também entram o desafio de assegurar estabilidade de renda ao produtor e garantir a segurança alimentar interna. Enfim, 2011 marca um decênio de desafios, nunca antes imaginados, a não ser que o futurologista e estrategista militar Herman Khan tivesse sido levado a sério nos anos 1960/70, quando visitou o Brasil. Já que ninguém quer saber da teoria de Malthus.

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