Em época de tanto homem público irresponsável e corrupto, é louvável saber-se que o cidadão vai assumindo, cada vez mais, posições de economia e responsabilidade. Como o que foi abordado em reportagem de sexta-feira deste Jornal sobre o consumo consciente, e de dias atrás sobre o planejamento dos gastos domésticos e das finanças no geral. As decisões estão presentes a todo instante: no fechar e abrir a torneira, alternadamente, quando do uso da água; apagar a luz ou deixá-la acesa inutilmente; usar o automóvel ou o ônibus; associar-se a um sistema de carona ou mesmo andar a pé quando possível; adquirir produtos similares mais baratos; evitar gastos desnecessários, sem ser mesquinho, mas também não um compulsivo gastador com coisas supérfluas. Citando recomendação do gerente de Projetos Especiais do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, Aron Belinky, a reportagem adverte o consumidor para que não adquira uma mercadoria roubada ou falsificada. Porque, neste segundo caso, além de comprar um produto de baixa qualidade (e prejudicial à saúde, se for de consumo orgânico) sonega imposto, necessário à segurança dos cidadãos como sociedade, mesmo com todos os abusos governamentais. E comprar mercadoria roubada implica igualmente na sonegação, mas, acima de tudo, no favorecimento à criminalidade. É como colocar uma arma na mão do bandido. Mais e mais cidadãos estão se conscientizando disto, segundo a pesquisa, e fazendo a sua parte individual. Isto é saudável, num momento em que mares de lama assolam a administração pública. Essa mesma sociedade conscientizada haverá de saber dar cobro a esses desmandos e sanear a área corrompida, custe o que custar. Por outro lado, como afirma a instituição citada, os brasileiros estão, também, muito interessados em conhecer as ações de responsabilidade social das empresas. O Brasil obteve uma das maiores médias do mundo em exigências do consumidor. Isto traduz-se por evolução. O estudo mostra que 80% dos entrevistados são exigentes quanto à responsabilidade operacional das empresas, como a qualidade dos seus produtos e a relação que têm com seus empregados. O que o consumidor brasileiro ainda não aprendeu a fazer com constância, conforme o levantamento, é punir empresas que lhe forneçam um mau produto ou um mau atendimento. Ou – e este é um adicional do Jornal – deixar de comprar em estabelecimento que não mostra o preço à vista, falseando que é o mesmo da venda a prazo e, dessa forma, forçando o adquirente a optar pelo crediário – um modo de obter renda também pela especulação financeira. Mas é gratificante saber que a mentalidade da freguesia está mudando, e para melhor, por via da vigilância, da cobrança e da maior exigência. É apenas esta a linguagem que os maus empresários respeitam, porque toca-lhes na parte mais sensível, que é a possibilidade de perda do freguês. Quando o consumidor valer-se permanentemente desta salutar chantagem, os proveitos contra ele tenderão a diminuir. A opção pelo consumo consciente criará uma sociedade mais justa e resultará benéfica para todos, inclusive as fontes de produção e o sistema de comercialização.

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