Consumidor vive fase de ressaca
Houve exagero na dose de antídotos aplicados aos consumidores contra a crise econômica e o resultado foi uma demanda de compras e crediário além do razoável. Seguinte: para evitar a recessão, uma onda de incentivos iniciadas em outubro do ano passado provocou a gastança generalizada. Agora vive-se a ressaca. Contas bancárias e financiamentos não aguentam desaforo.
O diagnóstico veio pelo Indicador Serasa Experian de Perspectiva de Crédito ao Consumidor e foi divulgado ontem: endividado pela antecipação de compras provocada pelos incentivos fiscais, o consumidor brasileiro começa a frear a busca por crédito para a aquisição de bens. O primeiro semestre é de renúncia ou parcimônia. Em macroeconomia essa postura tem nome: recessão.
Nas economias abertas existem agentes econômicos superavitários e agentes econômicos deficitários. Superavitários possuem nível de renda superior aos seus gastos. Estes não precisam levar tudo na ponta do lápis, podem pagar à vista e, em geral, seus hábitos de gastos não são sazonais. Já os deficitários são os de níveis de gastos superiores ao de renda. Seu acesso a determinados bens ocorre em ocasiões atípicas como as promoções decorrentes de incentivos.
Embora de renda mais modesta, é esse perfil de renda que promove bolhas de consumo e faz a diferença no comércio. Potencializado pelas ofertas de crédito com juros reduzidos e pelas promoções do comércio, ele alavanca a economia porque sustenta a chamada demanda agregada de bens. Mas aparece e some do mercado. Volatiliza, como diriam os economistas.
Se o endividamento do consumidor não bastasse, a economia no trimestre enfrenta um cenário bem caracterizado: o fim dos estímulos fiscais, como a redução do IPI para eletrodomésticos da linha branca e automóveis; a expectativa de elevação da taxa Selic e a valorização momentânea do dólar.
O estímulo oficial foi cumpriu seu papel. A dificuldade natural está no tênue limite entre compra (oportunizada pelas ofertas, que foram reais) e capacidade de endividamento do consumidor.
Quanto ao comércio, tem mais é que buscar alternativa para o fim de um período de liquidez que mereceu comemoração.





