Rio Metade do que o consumidor brasileiro paga pelos combustíveis fica com os governos federal e estaduais. Dados da Petrobrás indicam que, no Rio, os impostos correspondem a 50,4% do custo da gasolina e a média nacional não é muito diferente. No caso do diesel, é de 28,28%; no gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de botijão, chega a 18%. A carga tributária no preço dos combustíveis vem sendo discutida por especialistas e executivos do setor, inclusive o presidente da Petrobrás, Francisco Gros.
As distribuidoras de gás de botijão vêem na carga tributária um dos vilões pelo alto preço. De cada botijão vendido no Rio a um preço médio de R$ 24,16, governo federal e Estados ficam com R$ 4,37. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), imposto federal, tem apenas uma alíquota máxima R$ 0,5011 na gasolina, R$ 0,1046 por quilo de GLP e R$ 0,1578 , que este ano deve reverter ao Tesouro R$ 8,3 bilhões. O ICMS é definido pelos governos estaduais, sobre um preço presumido de venda, cotado antecipadamente pela Petrobrás, o que pode provocar injustiças sociais.
Mas o governo pretende atacar as margens de lucro para reduzir o preço do gás. De fato, segmentos de distribuição e revenda acompanharam os aumentos promovidos pela Petrobrás e aumentaram as margens em 18,5% e 35% desde a abertura de mercado.
O consumidor brasileiro, porém, já viu esse filme. No final de janeiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu que o preço da gasolina cairia 20% e foi preciso uma reunião entre o secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, com representantes da distribuição e da revenda de combustíveis para tentar baixar os preços. Distribuidores e revendedores culpavam os Estados, que não reduziram as alíquotas do ICMS.
O Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), que representa as grandes companhias do setor, criticou a interferência do governo. ''Apontar que margem A, B ou C é boa não existe em um contexto de abertura de mercado'', disse o porta-voz da entidade, Alísio Vaz.
No final, o preço da gasolina não caiu 20%. Pior: depois de duas semanas de discussões, a Petrobrás finalmente conseguiu subir o preço do combustível, em 2,1%. De lá para cá, mais três aumentos (9,39%, 10,08% e 6,75%) e uma pequena queda, de 1,08%.

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