Os brasileiros usaram o dinheiro do 13º salário para aplicar na poupança e pagar dívidas antigas. Essa foi a conclusão de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgada nessa semana, dando informações de como o trabalhador gastou seu dinheiro no último mês de 2013, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o estudo, o número de consumidores que direcionaram a renda extra obtida no fim do ano para compras caiu de 11,4% em 2012 para 10,8% em 2013.
Já o número de devedores que preferiram quitar contas aumentou de 23,4% para 28,6%. Também houve crescimento na quantidade de pessoas que decidiram poupar a renda extra, passando de 23,7% para 24,4% entre os dois anos.
Com base nesses números, é fácil imaginar que o último Natal dos brasileiros foi mais conservador, provavelmente esperando para ver o que reserva o ano de Copa do Mundo e de eleições. Tudo indica que o cidadão chegou ao fim de dezembro desconfiado diante do cenário econômico nacional.
É preciso levar em conta que muita gente que foi com bastante sede às compras nos anos anteriores, parece que agora decidiu pisar um pouco no freio. Trata-se, principalmente, de brasileiros das classes D e C, que tiveram acesso facilitado ao crédito e viram seu poder de compra melhor.
Ainda é cedo para prever um cenário de consumo para 2014. No Paraná, se por um lado o percentual de famílias endividadas caiu de 86,4% em janeiro de 2012 para 84,9% neste primeiro mês de 2014, por outro lado aumentou o número de consumidores que disse não ter condições de quitar suas dívidas - de 8,6% passou para 9,2%. Esse estudo, da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR), apontou também crescimento no número de pessoas com contas em atraso, passando de 22,2% para 24,7%.
Vale lembrar que os pesquisadores consideram endividamento o ato de contrair qualquer tipo de crédito desde a compra de calçados até imóveis. Já o inadimplente é aquela pessoa que está com as contas em atraso há mais de 90 dias. Comprar parcelado não é problema desde que a dívida seja planejada e dentro da capacidade de pagamento das famílias. Se a soma das parcelas ultrapassar 30% da renda, é preciso acionar o botão de alerta.

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