Consultoria, enriquecimento e fisiologismo
A base aliada do governo Dilma Rousseff mostrou toda sua força na semana passada quando conseguiu impedir a convocação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) à Câmara Federal para dar explicações sobre o incrível lucro registrado por sua empresa de consultoria. O patrimônio pessoal de Palocci cresceu 20 vezes em quatro anos.
Só em 2010, quando fez parte da coordenação da campanha petista à presidência e em seguida participou da equipe de transição, a empresa faturou R$ 20 milhões - R$ 10 milhões apenas em novembro e dezembro.
Na defesa do ministro, um representante do governo afirmou que não há crime na prestação de consultoria, ainda que seja uma atitude no mínimo duvidosa. Mas se não há transgressão, por que evitar com tanto veemência que Palocci responda às questões dos parlamentares? A oposição tenta agora aprovar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas com chances quase nulas de sair do papel.
Ter a maioria no Congresso facilita a vida do governo federal, mas coloca em risco o debate que deveria ser uma constante nas Casas. Fica ainda mais difícil controlar os atos do Executivo, o que representa verdadeiro risco à democracia.
Isso sem levar em consideração o fato de que a conta para aprovar as demandas do governo e blindar seus membros costuma ser bem cara. O fisiologismo só ganha ainda mais força com esse modelo de trabalho.
E a situação já começa a cobrar pelo ''serviço'' prestado para enfraquecer a atual crise. Para acalmar a grita, o governo acena com a distribuição de cargos. Vagas ainda abertas no segundo escalão devem ser preenchidas nas próximas semanas. E novos ajustes poderão ser necessários, já que pelo menos outros cinco ministros também seriam proprietários de empresas de consultoria.
Está na hora de promover mudança na legislação para evitar que interesses públicos e privados se misturem da forma como vêm ocorrendo hoje. Se o governo realmente desejasse arrumar a Casa, conseguiria aprovar com facilidade. Mas a julgar pelo histórico dos escândalos, este está fadado ao esquecimento, sem resultados práticos.





