Construir um novo Londrina - Walmor Maccarini
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Walmor Maccarini 
Não é responsabilidade das empresas sustentar o Londrina Esporte Clube, porque elas são solicitadas demais, e por uma infinidade de setores que não só o futebol. Também não seria responsabilidade dos cidadãos. Mas por que não ajudar? Sem prejuízo da contribuição que já damos às causas assistenciais, se soubermos dividir não vai faltar, e todos ganharemos.
Um time de futebol deveria, literalmente, manter-se pelas próprias pernas, mas quando chega a uma dívida de 1 milhão e 200 mil, sem um centavo em caixa e crédito zero, como é o caso do Londrina, aí é preciso cabeça. E coração.
Porque sem as alegrias e as amarguras que o LEC nos dá é dificil sobreviver...
Carlos Alberto Garcia, ex-jogador do Londrina e ídolo da torcida alvi-celeste, diz em entrevista a este jornal que houve descontrole, má administração e gastos exagerados com contratações. Luis Carlos Miguita, cardiologista renomado e chefe do Departamento Médico do time, diz que achar soluções é muito mais importante que achar problemas. Ambos têm razão. Juntando as lições dos descontroles do passado e a busca de achar soluções, se chegará a um ponto de equilíbrio e de consenso para tirar o Londrina do buraco, ou da UTI, segundo as palavras de Miguita.
Roubos, não se crê que houve. Carlos Alberto, mesmo, diz que nunca houve dinheiro no caixa para ser roubado. Carlos Miguita reforça: Ao longo dos anos só vi gente botando dinheiro no Londrina, nunca tirando. Então, se não há ninguém para acusarmos de ladrão, menos mal.
Destes 1 milhão e 200 mil de dívidas, 500 mil são de ações trabalhistas (106 ações apenas) e o restante de créditos de fornecedores, e outros. Ações trabalhistas são negociáveis. Os querelantes terão que ser benevolentes e buscar só os salários atrasados, com direito a correção, que pode ser baseada na caderneta de poupança, mas nada de indenizações e todas aquelas coisas moralmente injustas encontráveis na CLT. E se houver ação trabalhista indevida - e parece que há - a Justiça terá que fazer justiça. Sabemos que jogadores, técnicos, médicos e funcionários de escalão mais baixo (inclusive um gandula) estão entre os credores, que totalizam duas centenas.
Este o Londrina futebol. E o Londrina clube? Este tem apenas 400 sócios pagantes, porque os outros 7.000 são remidos (?!), pois contribuiram com algo extra em campanhas que o clube promoveu e receberam o benefício. A sede, com instalações modestas, está salva de eventual confisco, porque é inalienável. Foi doada pelo governador Moisés Lupion por diligência do então presidente Carlos Antonio Franchello.
E agora, o que fazer? Quem tiver vontade, que retire a ação trabalhista. Sem prejuízo do crédito. Quem não desejar retirá-la, que negocie. Quem puder, adie o crédito, com juro de lei, como se fora investimento. Com os fornecedores, a mesma coisa. Sem execução de dívidas, porque não resolverá. Negociar, esta é a saída, porque na verdade o Londrina não deu golpe em ninguém, apenas nunca teve dinheiro. Vamos fazer de conta que temos a receber da igreja...
E a Justiça Trabalhista que seja mediadora e mão branda - porque não há lei que a impeça de ser - e não algoz.
Acertar estas contas e pensar no futuro. O Londrina está na UTI mas tem boa assistência e não morre. Quando se fala do LEC é preciso pensar também clube e não só futebol. Porque se gastou muito dinheiro com jogadores e pouco na estrutura da instituição. Recomeçar com um time de jogadores jovens, recrutados aqui mesmo, e uma folha de pagamento sustentável. Uma coisa boa o Londrina tem, que é sua escola de futebol. Instalada junto ao VGD, é regida pela Sociedade Amigos do Londrina - a SAL, que por contrato também rege o time. Essa escola forma infanto-juvenis (abaixo de 15 anos), juvenis (de 15 a 18) e juniores (até 20). Esta aí a mina. De onde se vai extrair jogadores para o time e para o mercado. Se não der para ganhar o Campeonato Paranaense, convenhamos que em 41 anos de existência o Londrina só foi campeão 3 vezes. Então não faz muita diferença. Já é bom demais existir e disputar. E, como jogadores jovens, cheios de entusiasmo e garra, dá até para apostar! Nada de gastar com jogadores caros e sem compromisso com a cidade.
Carlos Alberto Garcia. Está aí um bom nome para presidente do clube. Gosta, tem credibilidade e - sobretudo - é do ramo. Nada de aventureiros! Porque presidente do Londrina não é Rei Momo!
A dívida é grande mas dá para reduzi-la pela metade, e essa metade pode ser paga com contribuições populares. Quem sabe - mediante carta padrão ou insight eletrônico - obter que cada usuário de telefone autorize o Sercomtel a lançar na conta 1 real/mês, durante 6 ou 12 meses, como doação para o LEC.
Com gente séria por trás desta empreitada, boa vontade, mente aberta e coração pulsante, dá para chegar lá!


