Está certo o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Rosalmir Moreira, ao afirmar em entrevista a este Jornal que, para que não haja invasão de terrenos e se ergam barracos, a solução é primeiro construir as casas e disponibilizá-las. Porque se aqueles casos ocorrem é porque os invasores não têm moradia. Esta é a óbvia conclusão, mas as administrações públicas não têm se empenhado como deviam para obter as verbas destinadas ao programa habitacional.
Há 21 mil famílias inscritas na fila da casa popular em Londrina. A alegação do titular da Cohab é que o município ficou 12 anos sem conseguir financiamentos para a habitação, sob a alegação de que Londrina estava inadimplente. E afirma que a partir de janeiro de 2009 a companhia ''estará enxuta'' e pronta para viabilizar, ''até com recursos próprios'', novas unidades habitacionais. A próxima etapa de atendimento, portanto, será tarefa do novo prefeito, até porque faltam apenas quatro meses (ou 87 dias úteis) para encerrar-se o mandato do atual.
O déficit de moradias populares é grande, pelos números da própria Cohab, por isso milhares de famílias moram em cortiços, onde não só o abrigo é precário mas toda a infra-estrutura que poderia permitir uma vida decente. Houve época em que a cidade conseguiu zerar o número de favelas, mas a população veio aumentando e o ritmo de construções não acompanhou o crescimento populacional. Atente-se que Londrina é cidade pólo e atrai gente de toda a região. Agora o presidente da Cohab pede paciência, e é oportuno lembrar aos candidatos a prefeito que este é um problema que precisa ser imediatamente atacado pelo que for eleito. O déficit habitacional é geral no Brasil porque o Governo Lula não investiu muito nessa área, embora o ideário do seu partido de dar prioridade à pobreza.
Dentre os nove candidatos, três são deputados federais, um é deputado estadual e dois já foram prefeitos do município, isto significando mais proximidade com o poder, o que abre caminhos mais fáceis para reivindicar junto aos governos federal e estadual mais benefícios para Londrina, um deles a construção de casas populares, na cidade e na zona rural. Porque nada é mais urgente do que propiciar condição melhor de vida a essas famílias sem-teto e habitando favelas. Não será preciso os candidatos fazerem projetos mirabolantes, bastando que, como propostas de campanha, se atenham aos atendimentos básicos. Assim, o que for eleito, já irá sabendo o que é urgente e saberá o que tem de fazer.

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