Reverenciar a pátria – cuja data máxima hoje se celebra – não é apenas fazer continência à Bandeira e nem colocar a mão no peito ao cantar o Hino Nacional, mas sobretudo construí-la todos os dias, com grandes ou pequenas atitudes. A pátria é cada um dos brasileiros, e se todos forem conscientes disso a farão grande. E não apenas em seu progresso material mas também em dignidade.
  Atendido o ideal deste segundo item, o mais virá como virtuosa e natural conseqüência. Se cada qual contribuir com sua parcela, mínima que seja, o majestoso edifício social da nação brasileira se erguerá, triunfante. Lutar contra os desmandos do organismo público, que se manifestam desde pequenas repartições até elevados escalões da República, é uma das partes da missão edificadora. Se a podridão corrói muitos daqueles que estão à testa das instituições, estas são perenes e precisam ser salvas pelo expurgo das impurezas que as contaminam.
  Uma nação não pode entregar-se ante a fúria do arbítrio e do desvio de conduta de governantes, parlamentares e magistrados e de órgãos subalternos sob o comando deles, mas manter-se de pé e à ordem, em posição constante de enfrentamento a essas situações caóticas. Construir a pátria é lutar por ela, e não será preciso brandir espadas mas apenas posicionar-se com altivez e resistência mesmo ante arbítrios aparentemente inofensivos. A pátria não se compõe apenas das riquezas do território mas primordialmente das pessoas, e estas precisam conviver em harmonia e em regime de solidariedade. E se há limites físicos descritos nos mapas, cada ser que habita este planeta deve entender que ele é toda a humanidade e que o que de bom ou de mau afetar um povo, afetará o mundo inteiro. A necessidade da proteção ambiental e de conter o aquecimento global são exemplos.
  Que os ensinamentos de moral e civismo das escolas não se voltem apenas para deveres como reverenciar símbolos, mas destacadamente para mostrar a importância do mútuo respeito dos cidadãos. Isto sem prejuízo de repelir as desumanidades, e assim mesmo que se o faça sem sentimento de vingança social mas com espírito humanitário e patriótico.
  Importa menos que a independência preconizada no brado do Ipiranga não tenha se concretizado no sentido da plena soberania e sim que se tenha consciência de que cada vez mais os povos são interdependentes, respeitadas as suas normas legais e as suas culturas. É necessário que não esmoreça o espírito de combate aos males políticos, sociais e existenciais – e a sanidade deles é que dá sentido ao ideal de pátria – e que se fortaleçam os laços de solidariedade humana.

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