O cultivo de hortaliças e atividades culturais e esportivas estão resgatando adolescentes da marginalidade em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina). Criado há quatro anos, o projeto ''Construindo o Futuro'' também atende adolescentes em situação de risco pessoal ou social. A iniciativa, que serviu de modelo para a vizinha Porecatu (85 km ao norte de Londrina), será apresentada ao Ministério Público estadual em um encontro de juízes e promotores da área da infância e juventude no próximo dia 24, em Curitiba, e pode se tornar modelo para todo o Estado.
A proposta é simples meninos e meninas, ao todo 48, com idade entre 12 e 17 anos, se dividem em atividades que acontecem no período de contraturno escolar. Os maiores, com mais de 15 anos, cuidam principalmente da horta, onde cultivam alface, couve, espinafre, beterraba, abobrinha e pimentão. O restante participa das aulas de informática, de violão e artesanato e dos jogos de vôlei, dama, dominó e xadrez. Cada dia é dedicado a uma ou mais dessas atividades e os jovens recebem café da manhã e almoço ou lanche da tarde.
A produção garante o abastecimento de verduras e legumes para as famílias dos adolescentes e para entidades assistenciais do município, hospital e creches. Tudo isso com repasse de R$ 8,2 mil por mês da prefeitura para a Organização Não Governamental (ONG) que administra o projeto. A prefeitura ainda mantém o ônibus que faz o transporte dos jovens e cede funcionários, cinco no total, para a manutenção das atividades, além de ceder uma ou duas horas por semana para que alguns funcionários possam ser voluntários no projeto.
A comunidade também participa da iniciativa. A área de um alqueire, onde funciona o projeto, na Fazenda São Manoel, foi cedida pelo fazendeiro Samuel de Andrade Baise. E 20 famílias contribuem com R$ 15,00 por mês e recebem, em troca, uma cesta de verduras toda semana. ''É útil para a cidade e para a gente não atrapalha em nada, dá para ir 'tocando' o resto da fazenda sem problema'', afirma Baise.
O projeto também ganhou uma verba de R$ 20 mil do banco HSBC, através do comitê de responsabilidade social da empresa. O dinheiro foi usado na compra de seis violões, três máquinas de costura, 60 cadeiras e um retroprojetor para ser usado em palestras.
Segundo a promotora Sílvia Luiza Dariva, da Vara da Infância e Juventude de Porecatu, comarca que atende também as cidades de Miraselva e Prado Ferreira, o melhor resultado a comemorar é a redução do índice de reincidência dos infratores.
Outro motivo de comemoração é que os jovens têm oportunidade de cumprir uma atividade de ressocialização em ambiente aberto. ''A reincidência é mínima'', afirma a promotora, sem citar números. ''A gente já 'perdeu' adolescentes, nem sempre a gente ganha, porque a 'concorrência', drogas e situação econômica, é grande. Mas, a perda é mínima. Eles não são obrigados a vir, mas vêm e ficam'', comemora o coordenador do projeto, Marcos Luz.
O grande desafio agora para o programa é conseguir uma maior autonomia. ''Com as máquinas de costura pretendemos produzir camisetas e uniformes e conseguir parcerias para que o projeto possa ser auto-sustentável'', afirma Luz.

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