Dados da Secretaria de Obras de Londrina revelam que este ano, até a primeira quinzena de novembro, foram aprovados 2.681 projetos de obras no município. A previsão é de que o ano feche com 3.500 obras, o que configuraria o pior resultado desde 1998. Em 2001, foram aprovadas 4.208 obras e no ano anterior, 3.845. A previsão é de que o total da área aprovada fique entre 900 mil e 1 milhão de metros quadrados. Por este critério, o resultado supera o do ano passado, com 878,5 mil metros quadrados, e a 2000, com 581,3 mil. O que denota cenário propício para grandes empreendimentos.
''Nosso menor apartamento, hoje, tem 200 metros quadrados'', afirma Célia Catussi, gerente regional da Plaenge em Londrina. Segundo ela, 2002 foi um ano quente no mercado de imóveis de alto padrão. ''Até nos surpreendemos neste segundo semestre quando o crescimento no volume de negócios foi de 60% em relação ao primeiro semestre. As pessoas estão voltando a investir em imóveis'', afirma a gerente.
A A.Yoshii também não tem do que reclamar. Desde setembro, registra crescimento de 30%. ''A alta do dólar, os problemas com os fundos DI, a relação cada vez mais desfavorável entre a dívida pública e o PIB, entre outros motivos, levam o investidor a diversificar a carteira de investimentos. Em momentos de instabilidade econômica, o imóvel representa uma alternativa interessante'', explica Atsushi Yoshii, diretor-presidente da construtora.
Segundo Denílson Pestana, diretor do Sindicato dos trabalhadores, diz que a a falta de investimentos públicos tem contribuído para o esfriamento do mercado. ''Muitas empreiteiras trabalham só com obras públicas'', explica.
O secretário de Obras da Prefeitura, Aloysio Crescentini de Freitas, admite que o município investiu pouco em obras este ano e explica que foi preciso acertar as contas públicas. ''Houve um hiato, é verdade. Mas a partir deste final de ano devemos investir mais. Para 2003, prevemos a construção de dois ginásios de esportes, o lago da Zona Norte, 40 coberturas de quadras esportivas, ampliação de escolas em bairros, fora outras grandes obras que poderão ser feitas. Mas acho que uma grande fonte de recursos para a construção civil será a zona sul, com os condomínios horizontais'', prevê o secretário. Nesta área, Hoffmann também enxerga potencial, mas afirma que os investimentos devem passar da venda de terrenos para a construção.
Em 2003, a Cohab de Londrina também promete mais investimentos. ''De 1992 a 2001, a Companhia esteve inadimplente com a Caixa Econômica Federal. Com a regularização da situação, agora, teremos recursos para investir'', explica Carlos Eduardo Afonseca, presidente do órgão. Há um mês, a Cohab iniciou a construção de 127 casas populares na cidade, que empregou inicialmente 70 trabalhadores. ''A tendência é que sejam gerados até 120 empregos. Para 2003, prevemos a construção de algo em torno de 1.000 a 1.500 unidades'', afirma Afonseca.
A promessa do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar a construção de casas populares em seu governo, a partir de 2003, também abre perspectivas favoráveis. ''Se as verbas forem disponibilizadas e houver vontade política para isso, será ótimo. Se o presidente reduzir o déficit habitacional pela metade, já terá feito algo incrível'', considera Hoffmann, do Sinduscon.
Denílson Pestana afirma que os trabalhadores esperam que a situação mude já nos seis primeiros meses de 2003. ''Será necessário também diminuir os juros, para que os investidores se direcionem para os imóveis. Se o governo Lula realmente priorizar as habitações, o aquecimento pode ser grande'', afirma o sindicalista.

mockup