A história recente, deste século, pode ser entendida como aquela havia entre 1917 e 1989. Trata-se do período compreendido entre a Revolução Russa e a Queda do Muro de Berlim. Retornar ao período anterior, do ponto de vista de análise do quadro atual, pouco contribui, exceto para a lembrança de que o que hoje se chama de ‘‘moderno’’, já foi tido como ultrapassado em meados do século XIX. Os fatos posteriores a 1989, mais parecem o limiar das transformações que veremos ocorrer nas próximas décadas do que a sequência do período anterior.
No correr desse período temos duas guerras que assolam o continente europeu, e a segunda com sérias implicações também no terreno da URSS. No pós-Segunda Guerra, dois fatos importantes podem ser citados. O primeiro é a criação de mecanismos internacionais de monitoramento das economias destruídas, a partir da ONU (Organização das Nações Unidas), FMI (Fundo Monetário Internacional) e outras organizações igualmente poderosas em atividade. O segundo mecanismo é a existência da chamada ‘‘guerra fria’’, estabelecendo o conflito permanente entre Estados Unidos e URSS.
Os dois fatores acima citados contêm em si a disputa da hegemonia quanto a um projeto mundial. Nessa disputa, a queda do Muro de Berlim, do Leste Europeu e da própria URSS, bem como a supremacia dos organismos internacionais, controlados abertamente pelos Estados Unidos, criaram um clima de vitória inevitável de uma determinada proposta, do chamado ‘‘fim da história’’.
Esse cenário é o que pode ser chamado de ‘‘hegemonização do modelo neoliberal’’, a partir de uma determinada forma de conceber o Estado (estado mínimo), a economia (supremacia do mercado) e o homem (elemento secundário) do sistema.
A sequência dessa lógica leva a dividir o mundo em países desenvolvidos, países em desenvolvimento e países periféricos, num raciocínio semelhante ao da nossa conhecida sociedade dividida entre classes de ricos, médios e pobres.
Um desenvolvimento globalizado (mundial), nessa lógica, implica em que os países não tenham projetos nacionais, mas submetam sua economia, e em especial seus recursos naturais, a serem fatores do projeto maior. Quem pensa a globalização não pensa a partir de um desenvolvimento equilibrado, mas sim a partir dos interesses de quem a controla, da mesma forma que a classe dominante não pensa um desenvolvimento de todos, mas sim o desenvolvimento a partir dos seus interesses.
A execução dessa estratégia é levada a cabo por diversas maneiras, podendo chegar ao extremo da intervenção bélica em muitos casos, mas via de regra é feita a partir da disputa ideológica, em que o componente econômico funciona como instrumento de pressão para convencimento de uma das partes envolvidas no processo. Essa tem sido historicamente a estratégia dos organismos internacionais quanto aos economistas em desenvolvimento de forma a adequá-las ao seu projeto.
Assim, o quadro econômico, político e social do Brasil atual, é um quadro de consequências óbvias, fruto de nosso comportamento submisso frente ao cenário internacional, em que somos uma peça importante, mas não imprescindível.

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