Conselheiro black bloc
Esta semana, o povo brasileiro foi convocado a se rebelar diante da falta de infraestrutura e da baixa qualidade dos serviços públicos oferecidos ao cidadão. Se a frase tivesse sido dita por um manifestante dos protestos de julho de 2013, não causaria surpresa. Mas o conselho partiu de um senhor de quase 77 anos, um dos maiores empresários do Brasil, o gaúcho Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração da Gerdau, um dos maiores grupos siderúrgicos brasileiros.
As afirmações do empresário foram feitas durante palestra para os participantes da 27ª edição do Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre, pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE).
À plateia, formada principalmente por jovens, Jorge Gerdau disse que a Central do Brasil (estação de trens metropolitanos do Rio de Janeiro) não passa por reforma importante há 30 anos e aconselhou: Tem de ter rebelião, gente! Quem tem esposa e uma filha e tem de enfiar dentro daquele trem não dá para aceitar.
Gerdau criticou a insistência do Brasil em se aproximar do Mercosul e propôs que o próximo governo brasileiro tenha apenas seis ministérios, ressaltou a necessidade de o Brasil aumentar sua poupança, investir em infraestrutura e melhorar sua governança e produtividade para crescer mais dos que os índices próximos a 2% dos últimos anos. E provocou com uma meta corajosa: que o País dobre o Produto Interno Bruto (PIB) per capita até 2030.
Mais um motivo de surpresa: o autor do desabafo ocupa o posto de conselheiro da presidente Dilma Rousseff (PT) desde a sua campanha, em 2010. Ele é presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do governo. O objetivo desse grupo é aperfeiçoar a condução da máquina pública, apresentar soluções para se eliminar gargalos e tonar os serviços públicos mais eficientes.
Como se percebe, os resultados conquistados pela Câmara foram tão tímidos que não agradaram nem mesmo o seu presidente, conhecido por ser um aficionado por resultados. Diante da ineficiência da máquina pública, só restou ao conselheiro da presidente se rebelar publicamente.





