Mais de 3,4 mil pessoas morreram no ano passado no Paraná, vítimas de acidentes de trânsito. O ranking trágico aponta que o Estado está atrás apenas de São Paulo e de Minas Gerais, que lideram a lista e são bem mais populosos. No País foram mais de 40 mil vítimas fatais, resultado 8% maior do que o registrado em 2009. Para o Ministério da Saúde, o total de mortes atingiu o status de epidemia.
Amparado no crescimento da economia e no facilitado acesso ao crédito, os municípios têm registrado um expressivo aumento de carros e motocicletas nas ruas. Somado a este fator, ainda colabora o péssimo estado de conservação de rodovias e estradas e a falta de conscientização dos motoristas. Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte apontou que 60% das rodovias paranaenses estão mal conservadas, enquanto apenas 39,9% estão boas ou em ótimo estado.
Mas um dos principais fatores que podem contribuir para a efetiva redução do número de acidentes no trânsito é a conscientização. A punição certamente tem que ocorrer, mas não resolverá totalmente o problema. Para o especialista em trânsito major Sérgio Dalbem a culpa pelo resultado não é apenas dos motoristas, mas também do governo. ''A própria lei prevê que o governo invista em campanhas'', afirma. Na sua opinião, falta ''corpo a corpo''.
No entanto, os números são alarmantes em todo o mundo. Em 2009, foram cerca de 1,3 milhão de vítimas fatais em 178 países. O trânsito é a nona causa de mortes em todo o mundo. Para tentar reduzir essa estatística, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou campanha com objetivo de reduzir pela metade o número de mortes em acidentes de trânsito nos próximos dez anos. A ação, denominada ''Década de Ação para Segurança no Trânsito 2011-2020'', convoca todos os países signatários, incluindo o Brasil, a desenvolver planos específicos para cumprir a meta estipulada pela ONU. Aqui, o programa deverá ser desenvolvido pelos ministérios da Saúde e das Cidades, mas até agora não foi traçada nenhuma estratégia. Se não houver investimentos em melhorias das condições de tráfego, de segurança e das estradas, o Brasil certamente continuará a perder parte da sua população nas rodovias.

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