Gerenciamento de resíduos é fonte de receita

Em Londrina nem 80% das empresas têm licenciamento ambiental







Estudo realizado por uma consultoria alemã, intitulado ''Tecnologias Sustentáveis no Brasil'', revela que o investimento nacional em projetos voltados ao meio ambiente é inferior à média internacional. No exterior, o setor privado investe cerca de 2% do faturamento em tecnologias sustentáveis. No Brasil, o aporte de recursos cai pela metade.

Londrina não foge à regra. ''Nem 80% das empresas têm licenciamento ambiental na cidade'', lamenta, em entrevista à FOLHA, o engenheiro e Presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), Fernando Barros.

''Muitos empresários pensam na despesa que vão ter ao investir no meio ambiente. Mas é possível ganhar dinheiro com o gerenciamento de resíduos, treinando e orientando os funcionários'', diz o ambientalista, que foi reeleito no início do mês para cumprir o terceiro mandato consecutivo como presidente do órgão.

Nesta entrevista, Barros explica com detalhes quais são as atribuições do Consemma e adianta as metas estabelecidas para a atual gestão. Outro tema abordado é o mercado de créditos de carbono em Londrina. ''Sinto que ele vem como um tsunami. Logo todo mundo vai ser obrigado a fazer inventário de CO2'', alerta.

De modo geral, os empresários investem em ações ambientais?
Atualmente as empresas estão bastante conscientes de que elas têm que mudar uma série de hábitos. Está havendo uma mudança de comportamento. As pessoas se convenceram de que têm que fazer alguma coisa pelo meio ambiente.

Algumas empresas fazem apenas o que a legislação obriga. Já outras vão além. Muitos empresários pensam na despesa que vão ter ao investir no meio ambiente. E as empresas mais avançadas enxergam de forma diferente. Elas veem oportunidades.

E qual é a importância desse investimento para as organizações?
As grandes empresas já trabalham na área de resíduos no sentido de ganhar dinheiro. Antigamente descartava-se as coisas e a Prefeitura levava. Mas a legislação mudou e hoje as pessoas não podem mais fazer isso. De um lado, gera despesa, mas se você faz uma boa separação é possível ganhar dinheiro com isso. É preciso treinar e orientar os funcionários. É fundamental explicar aos colaboradores porque o gerenciamento de resíduos é importante.

Então os planos de gerenciamento de resíduos podem ser financeiramente vantajosos para o empresário?
Eu tenho visto vários casos de empresas em que o gerenciamento tem sido fonte de receita. Inicialmente, fazendo da forma tradicional, traz despesa. Mas quando o empresário faz um estudo detalhado a prática gera receita. É uma forma de preservar o meio ambiente e ter ganho econômico.

Além do gerenciamento de resíduos, quais outras práticas deveriam ser adotadas pelas organizações?
Poupar água com aparelhos economizadores, com sistemas de captação de água de chuva. Em um empreendimento há um gasto muito grande de água em locais em que não é preciso utilizar a potável. Para se ter uma ideia, em um empreendimento comercial quase metade da água é utilizada nos vasos sanitários. Para que usar água potável para isso?

Investir em ações voltadas à preservação ambiental é uma forma de melhorar a imagem da empresa?
Vou dar o exemplo da construção sustentável. Fazer uma construção que respeite o meio ambiente e vender essa imagem agrada às pessoas que, de uma forma geral, estão preocupadas com as questões ambientais. Esse empresário vai ter vantagens comerciais.

Quais são as principais atribuições do Conselho Municipal do Meio Ambiente e as realizações mais importante da sua gestão?
A Constituição de 1988 definiu que todo mundo tem direito ao meio ambiente equilibrado e é dever do Estado e da sociedade zelar por isso. Foram criados conselhos, como o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que faz uma série de legislações que não passam pelo Congresso. São coisas de competência daquele Conselho. A nível municipal existem os conselhos que são deliberativos e emitem normas legais. Como a questão ambiental é vital para a humanidade, todos os órgãos legislam concorrentemente.

Na área ambiental todo mundo legisla. Para o Conselho ser mais representativo, metade dos representantes é do governo e metade é da sociedade. O Conselho trabalha em cima das deliberações da Conferência Municipal, para a qual toda a sociedade é convidada para eleger os pontos prioritários no que diz respeito ao meio ambiente.

E quais são as principais metas do Conselho para esta gestão?
As metas serão baseadas na Conferência. Na parte da fauna e da flora, podemos citar algo importante. Queremos que seja aprovado na Câmara um plano de arborização urbana. Outra coisa é a preservação dos fundos de vale, que consistem em uma riqueza para a cidade. Na área de resíduos, queremos aprimorar a coleta seletiva. Também pretendemos implantar o efetivo gerenciamento de resíduos na construção.

O Consemma desenvolve políticas para estimular a consciência ambiental no empresariado?
Em relação às empresas queremos que elas passem a fazer o inventário de CO2 emitido em suas atividades e compensem isso. Outra meta do Conselho é fazer com que as empresas cumpram a legislação ambiental. Hoje em Londrina nem 80% das empresas têm licenciamento ambiental. Elas só fazem por força da legislação, quando são obrigadas.

O mercado de créditos de carbono em Londrina já é uma realidade?
Isso ainda está começando. Mas eu sinto que ele vem como um tsunami. Todo mundo vai ser obrigado a fazer inventário de CO2. E isso vai acontecer logo.

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