A Justiça está de olho em quem postou mensagens ofensivas contra nordestinos, nas redes sociais, após a divulgação dos resultados das eleições. Só o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná recebeu, entre a noite de domingo e o meio-dia de terça-feira, 101 representações por supostas injúrias e discriminação contra o Nordeste. As denúncias chegaram pelo portal do órgão e pedem providências contra comentários preconceituosos expostos principalmente no Twitter e no Facebook por conta da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).
A petista venceu o pleito com um placar apertado: 51,6% dos votos válidos contra 48,3% de Aécio Neves (PSDB). O voto dos eleitores nordestinos fez diferença, pois naquela região Dilma conquistou quase 72% dos votos válidos.
A partir de agora, o trabalho do MPF consiste em avaliar as representações que chegaram até o órgão e estudar quais medidas tomar.
Em 2010, quando Dilma foi eleita pela primeira vez, episódios semelhantes aconteceram e uma estudante universitária de São Paulo chegou a ser processada e condenada. A moça, que cursava Direito, perdeu o estágio e foi condenada a um ano e cinco meses de prisão, mas a pena foi revertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa. Infelizmente, o crime de discriminação se repetiu amplamente quatro anos depois.
Os usuários de redes sociais que exageraram nas ofensas podem responder à Justiça por crime ou acabar penalizado pela própria rede de amigos na internet. O importante é que esses eventos provoquem uma reflexão para que o povo brasileiro desenvolva uma consciência política ajudando a consolidar a democracia no País.
Essa consciência não se molda discutindo política só em época de eleição. Ela é desenvolvida ao logo de uma vida e deveria começar desde cedo, no ambiente escolar e familiar. É impreterível que o brasileiro se envolva, no dia a dia, com as questões sociais e políticas.

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