O dia 20 de novembro, em que se observa o Dia da Consciência Negra, é para os afrodescendentes brasileiros um marco em sua história. A data representa a capacidade desse grupo de modificar o modo de vida que lhe foi imposto, de exclusão, impedindo a sua mobilidade social de modo a dar a sua participação decisiva no desenvolvimento da sociedade brasileira. Os afrodescendentes, que reúnem os pretos e pardos segundo a classificação do IBGE, constituem hoje cerca de 48% da população de nosso país e não mais podemos aceitar que permaneçam excluídos do ensino superior, do mercado de trabalho, com seus direitos econômicos, sociais e culturais sendo sistematicamente violados.
Consciência Negra é um conceito criado pelos afrodescendentes, com base em sua experiência de ser um segmento preterido na sociedade brasileira e contaminado pelo racismo. A expressão surgiu para construir uma imagem positiva do grupo, para encorajá-lo na busca de ações efetivas contra a discriminação racial. O movimento negro nacional reconstruiu a imagem que tínhamos de Zumbi, um de nossos mais destacados heróis negros, e do Quilombo dos Palmares com um olhar que se contrapõe à história oficial, e agora convoca os demais setores da sociedade a discutirem a questão racial.
Os avanços até o momento foram poucos, mas há o que comemorar. Durante a Conferência Mundial das Nações Unidas contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata realizada em Durban, África do Sul, nos discursos oficiais, o governo brasileiro confirmou seu compromisso com essa população. Espera-se que agora governo e sociedade civil olhem a questão racial com mais intensidade, levando à prática as soluções há tanto esperadas nos campos do trabalho, da educação, da moradia, da saúde, dentre outros.
A Comunidade Bahá'í já está na vanguarda, junto com algumas outras ONGs do Brasil, em ações diretas de influência junto aos Poderes Legislativo e Executivo, para tornar muitos aspectos do documento aprovado durante a Conferência Mundial não apenas em lei, mas em programas com aplicação ampla por todos Estados brasileiros, incluindo implicações no orçamento geral da República, Estados e municípios. Somente investindo na população afrodescendente brasileira, através de políticas públicas e ações afirmativas é que poderemos resgatar a dívida histórica que temos para com essa parcela significativa de nossa população.


- IRADJ ROBERTO EGHRARI é secretário nacional de Assuntos Externos da Comunidade Bahá'í do Brasil

mockup