A sustentabilidade chegou à construção civil. O conceito de ''prédio verde'' lentamente está se alastrando entre os empresários do setor e a vantagem econômica - além da sustentabilidade - chama a atenção cada vez mais.
Marcos Casado é gerente técnico do Green Building Council Brasil (GBC Brasil), órgão responsável pela certificação de prédios verdes no Brasil - chamada de LEDD (Leadership in Energy and Enviromental Design). No próxima terça-feira ele participa em Londrina de um workshop sobre Construções Sustentáveis e em entrevista à FOLHA adiantou alguns pontos acerca da importância das construções verdes.
O que é um prédio verde?
É aquele que leva em consideração pelo menos seis critérios: a eficiência energética do prédio, uso racional da água, qualidade ambiental interna, o entorno do prédio - como ele foi trabalhado na questão do canteiro, o impacto desse canteiro durante sua construção e a questão de materiais e tecnologias que foram implementadas nessa execução. Acontece muito hoje no mercado os prédios com ''maquiagem'' verde. Eles fazem um projeto para aproveitar água de chuva e dizem que o prédio é verde. Só isso não torna o prédio verde.
E o impacto no meio ambiente?
O objetivo da construção sustentável é que se diminua esses impactos e os resultados que estamos obtendo são bem interessantes, temos conseguido em média reduzir 30% o consumo de energia nos edifícios que adotam esses critérios. Conseguimos reduzir de 30% a 50% o consumo de água das edificações, dependendo das estratégias implementadas, conseguimos reduzir também 70% até 90% a geração de resíduos durante a execução da obra e durante a operação desses edifícios. E também reduzimos em torno de 25% a 30% as emissões de CO2 que são geradas pela construção civil.
O prédio verde tem custo final mais caro do que o convencional?
Isso depende muito do que você está tomando como referência. Nos prédios mais modernos vai haver o acréscimo de mais ou menos 1% a 3% do custo desse empreendimento. Via de regra, o mercado no Brasil hoje tem trabalhado com um custo maior, de 3% a 7%. Quando se constrói um prédio de forma sustentável, devido às tecnologias haverá um retorno de cerca de 30% na redução do custo operacional nas edificações. Eu gasto um pouco mais, mas o custo total do empreendimento no seu ciclo de vida, se paga muito rápido. A construção sustentável visa construir um prédio hoje, mas focando em como esse prédio vai ser operado.
Além de ecologicamente correto, é também uma construção econômica no decorrer do uso?
Com certeza. Costumamos dizer que a construção sustentável também é sustentável economicamente. Para se ter uma ideia, uma grande incorporadora que está no Brasil tem como estratégia que em uma construção convencional se demora de cinco a dez anos para ter um retorno financeiro. Já em um prédio verde, esse retorno é de três a cinco anos no máximo. Mesmo investindo mais no início, há esse retorno financeiro que viabiliza a construção dos prédios verdes.
Esse conceito já está bem difundido?
O mercado brasileiro ainda está se adaptando, mas já está havendo crescimento, é um conceito novo. Falando em questão mundial, o GBC americano, o mais antigo em operação - teve início de operação em 1993, tem 16 anos de aplicação desses conceitos. O GBC Brasil começou a operar em março de 2007, temos trabalhado a promoção da construção sustentável no Brasil através de várias estratégias.
Para se ter uma ideia, em 2004 havia apenas um empreendimento com certificação no Brasil. Em 2005 eram quatro, em 2006 eram oito, em 2007 fechamos o ano com 44 empreendimentos. No ano passado fechamos com 162 e esse ano devemos atingir 300 empreendimentos até o final do ano. Está havendo uma disseminação do conceito. Mas ainda representamos 1% desse conceito, temos muito para crescer.
A forma de utilização desse prédio verde é diferente de alguma maneira?
Um item exigido durante o processo de certificação é operar esse empreendimento de forma sustentável também. Para isso é exigido treinamento e qualificação das pessoas que irão trabalhar e operar esses prédios. Senão, a primeira vez que houver algum problema o síndico vai dizer que não é importante e com isso acabamos perdendo todo o benefício que um prédio verde pode dar.

Serviço: I Workshop sobre Construções Sustentáveis do Norte do Paraná. Dia 6 de abril, das 8h às 18h, no Auditório do CEAL/Sinduscon - Av. Maringá, 2.400. Inscrições: (43) 3025-6640, (44) 4052-9122 ou www.masterambiental.com.br

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