CONSCIÊNCIA AMBIENTAL - Consórcio luta para preservar o Tibagi
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segunda-feira, 02 de junho de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
A grande preocupação com o alto grau de degradação ambiental da bacia do rio Tibagi, que ocupa 24.712 quilômetros quadrados do território paranaense, resultou na criação do Consórcio Para a Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (COPATI). Desde 1989, o órgão trabalha com a missão de aglutinar forças e recursos para desenvolver projetos e promover a sensibilização ambiental da sociedade.
Em entrevista à FOLHA, o presidente do Conselho de Administração do COPATI, Reinaldo Gomes Ribeirete, fala dos avanços conquistados tanto na educação ambiental da população quanto nas melhorias das condições do rio, e mostra a posição do órgão com relação à polêmica construção da Usina Hidrelétrica Mauá. ''Somos contra a construção de usinas no Tibagi sem que haja um estudo dos seus reflexos em toda a Bacia'', afirma.
Como está a situação do Consórcio hoje, baseado no que foi imaginado há quase 20 anos atrás?
Com o apoio do COPATI, hoje todos os municípios da Bacia dispõem de Secretarias ou Departamentos de Meio Ambiente e contemplaram a questão ambiental em suas Leis Orgânicas. Participamos ativamente da criação do Sistema Estadual de Recursos Hídricos, que é constituído de Leis e Decretos que formam uma legislação das mais avançadas do Brasil e incentivamos as empresas a implementarem políticas de gestão ambiental.
E a situação do Rio, melhorou?
A melhoria da qualidade da água é inquestionável. A diversidade de peixes encontrada na Bacia do Tibagi comprova esta tese. Os últimos estudos apontam 114 espécies na Bacia, um número aproximadamente 40% maior do que o último inventário, publicado em 1995.
Como está a questão da mata ciliar e do assoreamento?
Na última expedição ao Rio comandada pelo COPATI em abril deste ano, constatamos que grande parte da mata ciliar foi recuperada ao mesmo tempo em que as ocupações irregulares das margens do Rio foram reduzidas.
Foram adotadas outras alternativas, como a soltura de alevinos?
Já realizamos atividades de repovoamento de peixes no Rio com a soltura de milhares de peixes característicos da Bacia. Este trabalho foi fundamental para garantir que espécies ameaçadas pudessem ser encontradas hoje com certa abundância.
Qual o Projeto mais importante desenvolvido atualmente?
O COPATI realiza um Programa de Educação Ambiental que entendemos ser a ação ambiental mais importante já realizada na Bacia do Rio Tibagi. Com este Programa, conseguimos envolver 37 mil alunos e 4,5 mil professores das quarta séries do Ensino Fundamental das Escolas Municipais de 38 Municípios em Projetos que antes eram feitos de forma isolada e pontual. O Programa Pingo D'Água preconiza a capacitação dos professores para trabalharem a temática ambiental e conta com material didático específico, como Manual do Professor, Cartilha do Aluno e Caderneta de Campo.
Qual a postura do Consórcio com relação à construção da Usina Hidrelétrica e a extração de areia?
A extração de areia, bem como os garimpos clandestinos, é uma questão importante. Hoje a Legislação Ambiental é mais vigorosa com estas atividades e o IAP e a Força Verde da Polícia Militar vem fazendo um bom trabalho de fiscalização. A construção de Usinas Hidrelétricas é, sem dúvida, o centro das preocupações daqueles que trabalham pela preservação do Tibagi. O COPATI tem uma posição clara a este respeito: somos contra a construção de usinas no Tibagi sem que haja um estudo dos seus reflexos em toda a Bacia.®MDBO¯®MDNM¯ Este, aliás, é o mesmo posicionamento do Ministério Público. No caso específico da Usina Mauá, ao contrário de outras entidades que fizeram a opção pelo confronto direto, o COPATI pautou sua atuação na reivindicação da melhoria do projeto original e do aprofundamento dos estudos de impacto ambiental, o que de fato aconteceu, e na ampliação das ações mitigatórias previstas no Plano Básico Ambiental da construção da Usina. Estas ações contribuíram para a diminuição do tamanho original previsto da barragem e para que o IAP fizesse as 71 condicionantes de novas ações e estudos para a concessão da licença de instalação.
Quais os desafios do COPATI para os próximos anos?
Apesar dos avanços, há muitas ações que ainda precisam ser realizadas. No início do ano, reunimos especialistas para debater o planejamento do COPATI para os próximos anos. Ao final, estipulamos metas para nortear o nosso trabalho, como trabalhar para a ampliação da recuperação da Mata Ciliar em toda a extensão do Rio, ajudar a eliminar os lixões que ainda estão presentes na Bacia do Tibagi, implantar a coleta seletiva e a compostagem do lixo em 100% dos municípios da Bacia e acabar com as ocupações irregulares.


