O dia que se dedica às crianças, hoje, não deve ser apenas um registro no calendário e uma oportunidade de ir às lojas e comprar presentes para elas. Mais que isso, é um ensejo para reflexão sobre o que não está sendo feito em benefício delas e sobre as nocividades e as promiscuidades a que são expostas. O tema tem abrangência mundial, e no caso do Brasil remete para o problema da miséria social, que envolve milhões de famílias e no seio delas as crianças. Fome crônica, subnutrição, doenças, violência sexual, facilitação para o caminho das drogas e para a delinquência, a distância das salas de aulas, o mau exemplo de programas violentos da televisão, lixos da internet, tudo isto são perigos que rondam a vida das crianças. O mais grave deles é o risco de esses pequenos, que nascem puros e inocentes como todos, converterem-se em delinquentes, contra os quais a sociedade precisará precaver-se e exigir arsenais armados que lhe dê combate. Natural que quando o mal se instala será necessária a busca de soluções, no geral tardias e que também se valem da correspondente violência, quando mais fácil teria sido combater as causas em sua origem primeira. É na idade da infância que se começa a moldar os cidadãos, mas pouca atenção se tem dado à criança, no Brasil. Mesmo os filhos de ricos, livres de alguns problemas de carências, ficam expostos a males paralelos, por via da televisão e da internet, e não apenas quanto a parte dos conteúdos nocivos da programação mas também ao tempo diante das telas. Pela mudança dos comportamentos sociais, que propiciou também à mãe a participação no mercado de trabalho, as crianças ricas, pobres e de classe média, ficam mais tempo sozinhas ou com governantas ou avós, portanto mais livres e vulneráveis para ver tudo o que desejam na TV, incluindo os programas que cultuam a violência. E se há as que passam fome, há as que comem demais, tornando-se obesas prematuramente e sofrendo mais tarde as consequências. Carências de um lado e excessos de outro, e as liberdades que a vida contemporânea passou a oferecer à sequiosa população infantil são questões que precisam receber uma revirada de enfoque por parte da família, da escola e por extensão da igreja, de forma a que também se alcance os governantes, sensibilizando-os para a necessidade de impor certos limites aos abusos, sobretudo da TV. Homenagear a criança, é preciso, e presenteá-la é bom, porém amar os filhos não é apenas isto mas também resguardá-los de males que poderão tornar-se problemáticos para eles, mais tarde. Cuidar da criança e do adolescente é uma responsabildidade da família, da escola e do Estado. Nesta oportunidade em que também se celebra a data consagrada a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, fundem-se a fé religiosa e o sentimento que se tem para com os homenageados, que são os pequeninos brasileiros, futuros homens e mulheres que irão gerir os destinos da Pátria. É dever de todos, então, prepará-los o melhor possível para essa missão.

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