''O livro impresso transmite encanto, é prático e tem enorme caráter lúdico'' A definição é da presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini Mais do que uma definição, a frase é um argumento em defesa das obras impressas Ela admite, no entanto, que em um futuro próximo haverá uma convivência harmoniosa entre as mídias convencional e digital O livro de papel, porém, nunca vai perder o seu espaço, garante Rosely, uma vez que é um produto que está arraigado na cultura brasileira
Uma prova é que o índice de leitura no País cresceu na última década A pesquisa ''Retratos da Leitura no Brasil'' revela que a taxa é de 4,7 livros por pessoa ao ano Em 2000, o número era de 1,8 livro a cada 12 meses ''Foi um salto importante'', considera Rosely
Nesta entrevista, ela defende a democratização do acesso à leitura, discute a importância da família no incentivo ao hábito e ressalta a necessidade de implantar políticas capazes de estimular a prática ''Vamos entrar em novo ciclo de crescimento econômico e teremos condições de fazer do Brasil um país de leitores'', enfatiza
Qual é a influência das novas tecnologias no mercado editorial brasileiro e no hábito de leitura do brasileiro?
É prematuro afirmar que as mídias recém-lançadas para leitura digital têm interferido ou prejudicado a expressão escrita O fato, porém, é que em breve um consistente mercado de livros digitais deverá surgir no País Mas o livro impresso continuará existindo em número bastante expressivo Trata-se de um produto muito arraigado na nossa cultura e ainda bastante acessível à população
Qual a importância dos pais estimularem a leitura de obras impressas?
Fundamental A nova geração foi criada sob a égide da internet Portanto, tem facilidade de operar as novas mídias Por outro lado, os pais devem dar a opção de conquista de conhecimento por meio dos livros impressos Aliás, não só eles, mas também os professores Os bibliotecários são outro grupo essencial nessa tarefa de estimular o hábito da leitura Nas bibliotecas, eles são os mediadores do contato dos jovens com os livros Porém, não devemos esquecer que o mais importante é a democratização do acesso à leitura, seja pelo meio tradicional, seja pelo meio eletrônico
Como a família e a escola podem ajudar?
A família deve facilitar o acesso à leitura, tendo em casa espaço dedicado aos livros Não é necessário montar uma biblioteca particular, mas é sempre bom manter em casa livros que possam ser importantes instrumentos de consulta e de leitura para uso no colégio ou lazer Já a escola deve ter uma grande biblioteca, permanentemente atualizada, para que seus alunos possam usufruí-la e adquirir o desejo pelo livro e pela literatura No fundo, todos somos responsáveis por incentivar o hábito da leitura
No Brasil deveria haver mais políticas públicas e campanhas para incentivar o hábito da leitura impressa?
O índice de leitura no País é de 3,7 livros por habitante ao ano Há uma década tínhamos um índice de 1,8 livro por habitante ao ano Trata-se de um salto importante Mas ainda há muito a fazer É preciso estimular a leitura no País Vamos entrar em novo ciclo de crescimento econômico e teremos mais condições de fazer do Brasil um país de leitores Precisamos trabalhar fortemente em políticas de incentivo à leitura Essas políticas estão atreladas a ações conjuntas do setor com governo na democratização de acesso ao livro
Existem programas por parte do governo de aquisição de livros para os alunos da rede pública, para melhoria da capacitação de educadores e para a implantação e manutenção de acervos em bibliotecas públicas Em 2001 devemos nos empenhar para que o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) seja institucionalizado O PNLL é um conjunto importante de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas
A senhora acredita que os livros impressos sempre terão o seu espaço?
O livro impresso continuará existindo, pois é extremamente arraigado na nossa cultura O livro impresso transmite encanto, é prático e tem enorme caráter lúdico Uma parcela expressiva da população continuará preferindo o livro no formato tradicional O que imaginamos é que em um futuro próximo haverá uma convivência harmoniosa entre as mídias convencional e digital

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