Nesta época de competição eleitoral a palavra desenvolvimento passa a ocupar o discurso de todos os candidatos. É claro que, ao lado dessa ''promessa de um futuro maravilhoso'', cada candidato sempre abre bom espaço para garantir que os problemas e dificuldades que afligem o cidadão em sua vida diária também serão resolvidos prontamente, assim que assumir o governo.
Infelizmente, e os eleitores mais conscientes sabem disso, entra governo e sai governo, e não só não alcançamos o paraíso prometido para o futuro como também os percalços diários continuam insolúveis.
Muito disso se deve à incapacidade de gestão dos que assumem os cargos executivos, que passam a administrar o dia a dia, sendo apenas reativos às emergências e não planejando futuro.
Boa parte dos candidatos e a grande maioria dos eleitores não percebem que, mesmo havendo honestidade de propósitos (o que nem sempre acontece), tem faltado na administração pública brasileira um compromisso com a busca de conhecimento e de inovação, ferramentas essenciais para a solução dos problemas atuais e, mais ainda, para o planejamento do desenvolvimento.
Poucos percebem que muitos dos problemas atuais são, apenas, consequência da falta de planejamento no passado. Não há uma busca organizada por conhecimento e inovação que permita planejar o futuro e implementar o que foi planejado, garantindo-se assim uma redução dos problemas.
No caso de Londrina, várias administrações têm se sucedido sem que os instrumentos legais sobre conhecimento e inovação fossem transformados em políticas públicas e ações concretas, que dessem suporte ao planejamento e à prática de uma boa gestão municipal.
Embora, às vezes, apareçam nas propostas eleitorais, muito pouco tem sido feito para concretizar o que está estipulado na Lei Orgânica de Londrina, que prevê ações concretas na área de Ciência e Tecnologia em seu Capítulo IV (artigos 173 a 177).
Da mesma forma, a Lei Municipal que estabelece a Política Municipal de Ciência e Tecnologia (Lei 8.816, de 20 de junho de 2002), deu origem a pouquíssimas ações do executivo.
O órgão que deveria estabelecer as políticas públicas nesse setor, o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, não tem conseguido transformar propostas em iniciativas concretas, pois tem faltado comprometimento das administrações municipais. No caso do Conselho, para o qual a legislação concede um papel muito relevante, o que se observa hoje é o desânimo de seus componentes, passados e presentes, pois o que se discute em suas reuniões se perde em atas e relatórios mas não alcança o mundo real.
Eis, portanto, algo para ser pensado pelos prefeituráveis de Londrina: uma proposta concreta e sincera de se implantar a legislação municipal sobre Ciência e Tecnologia e, a partir de janeiro de 2013, cumprir essa promessa.
E para comemorar o pleno funcionamento do CMC&T e, mais ainda, da execução de uma política municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, sugimos as datas de 27 de outubro de 2013 (quando se poderia comemorar o 10º aniversário da primeira eleição de conselheiros) ou 3 de dezembro para se comemorar o 10º aniversário da primeira reunião do Conselho.

PAULO VARELA SENDIN é engenheiro agrônomo e membro da primeira gestão do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia de Londrina

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