O sábio sentido de conhecer-se a si mesmo não é identificar os desejos pessoais, os poderes, as fraquezas, as emoções, mas compreender-se como a síntese de Deus. Por não se crer divino e por imaginar-se pequeno, o ser individual julga que não é merecedor, e assim pensa-se cheio de culpas - ele ''aqui embaixo'' e Deus ''lá em cima'', entre ambos um suposto abismo e nesse vácuo muitos demônios para levar as almas para o fogo do inferno... É assim que a maioria foi ensinada a entender e por isso sofre e não encontra o ponto de referência diante da vida.
O ser individual deve observar-se a partir de sua condição multidimensional e então enxergará toda a sua beleza e grandeza. Quando lhe foi dito que o Reino está dentro dele, significou revelar-lhe que ele tem a dimensão de Deus, eis que o compõe. (As palavras terrenas são insuficientes e inadequadas para definir esse sentido de unicidade, e por isso há os que não as compreendem, e reagem).
O homem foi ensinado a humilhar-se ''diante de Deus'' e que essa postura de submissão ganhará a piedade divina. É uma crença equivocada, que induz o ser individual a imaginar-se tão minúsculo quanto sua dimensão física, pecador e sujeito a tentações demoníacas e a dolorosas punições para a alma. (A tentação diga-se apenas de passagem tem origem nos próprios egos, que são atributos da personalidade, e quando acionados entram na consonância das idênticas forças negativas do universo, e mais se robustecem. Assim também com as emanações positivas. Correntes iguais se atraem).
Deve o homem amar a si próprio e à sua temporária condição carnal, mas seu corpo temporal é apenas um instrumento. O ser, em sua individualidade, não tem apenas o corpo que vê, mas uma série deles, que se expandem até o infinito e têm plenitude no corpo espiritual aí o princípio da unicidade. A peregrinação pelo ambiente terreno é uma passagem, planejada pelo próprio indivíduo como experimento ou doação que pode ter a duração de muitas vidas mas o corpo físico não é a realidade e apenas a vestimenta para suportar a densidade da tridimensão terrena, como o cosmonauta necessita de um traje especial para sustentar-se fora de seu habitat.
A realidade do ser é a que está invisível e costuma revelar-se mais frequentemente pela intuição. Atento para ouvir a intuição que é a voz que fala primeiro diante de qualquer circunstância e à qual costuma-se dar pouca importância o homem se conecta com o seu santuário interior. Há que atentar para a intuição, que é o sussurro que lhe vem do seu Eu Superior. Cada ser individual é grandioso e belo em sua essência e merecedor de todas as dádivas, sem risco algum na sua relação com a eternidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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