Congresso renovado, mas com velhos hábitos
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2020
Folha de Londrina 
A renovação ocorrida no Congresso em 2018 não foi suficiente para mudar a forma de trabalho da "velha política". Os novos congressistas não parecem estar preocupados em se livrar de um dos hábitos dos seus antecessores mais criticados pela sociedade: a ausência ao trabalho.
Foi o que se percebeu nesta segunda-feira (3) na cerimônia de abertura dos trabalhos do segundo ano da 56ª Legislatura do Congresso Nacional que, mesmo com a presença de quatro ministros, teve baixo quórum. De 513 deputados federais, 62 registraram presença. O presidente Jair Bolsonaro foi representado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que entregou aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, a mensagem presidencial com as prioridades do governo para 2020.
Há quem diga que as centenas de cadeiras vazias da última segunda-feira na Câmara é um sinal de desgaste entre parlamento e Executivo. Pode ser um recado de que a relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso precisa ser melhorada. Mas, sobretudo, mostra que a "nova política" que tanto se fala não está conseguindo superar as velhas engrenagens de Brasília.
O ano que começou segunda-feira no Congresso é muito importante e espera-se que em 2020 a pauta econômica realmente domine os debates dos primeiros meses e a reforma tributária tenha prioridade. O que a sociedade anseia é que os parlamentares trabalhem para que a economia volte a crescer no Brasil e que os empregos perdidos sejam recuperados.
Mas o que dizer quando a ampla maioria dos deputados nem aparece para o primeiro dia de trabalho depois de um recesso de mais de 30 dias? A pauta é extensa e importante e o ano de 2020 será "curto". Em poucos dias, Brasília para por conta do carnaval. Depois tem São João, período de festas que esvazia as cadeiras dos parlamentares do Nordeste. Lembrando ainda que o ano terá eleições municipais, outro motivo que fará os deputados e senadores permanecerem mais tempo em suas bases.
O cidadão espera que o seu deputado e senador trabalhem pelo povo, se possível com o mínimo de mordomias e sem gazetear.
Temos bons exemplos. Um deles veio da Câmara Municipal de Londrina, mais especificamente da primeira reunião da Mesa Executiva, que decidiu por manter os salários da próxima legislatura congelados. O salário de vereador bruto atualmente é de R$ 12,9 mil e do presidente da Câmara é de R$ 15 mil.
Projeto de Lei será elaborado nesse sentido, fixando os rendimentos para os próximos quatro anos, mas apesar da decisão dos membros da Mesa, no plenário a matéria pode receber mudanças. Vamos aguardar.
O momento econômico é difícil e o exemplo daqueles que estão no poder é fundamental para que o povo acredite na classe política.
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