Congresso oportuno
Congresso oportuno
A partir de amanhã, os produtores avícolas brasileiros estarão em Brasília participando de mais uma jornada nacional de debate sobre os problemas que afetam essa atividade econômica. Será o 16º Congresso Brasileiro de Avicultura, cuja importância não se limita aos interesses de produtores e exportadores de carne de frango, pois vai muito além.
É preciso que se diga que o setor avícola se tornou fundamental na formação do cardápio de proteínas animais nobres da população brasileira, especialmente nas suas camadas de menor poder aquisitivo. Não existe proteína nobre de preço mais baixo do que a carne de frango. Pelos altos índices de consumo e pelo preço acessível, os produtos avícolas atuam hoje como eficientes reguladores de preços no mercado interno. Sem carne de frango e ovos, os preços de outras carnes subiriam ainda mais do que estão subindo.
Além disso, a avicultura tem participação expressiva na pauta de exportações do País. E com uma vantagem: as vendas externas de carne de frango são de caráter superavitário, num momento em que o déficit da nossa balança comercial continua acentuado. O Brasil estará exportando neste ano quase US$ 1 bilhão em produtos avícolas e o setor continua importando muito pouco em insumos e equipamentos para avicultura. Enfim, a avicultura brasileira, na condição de segunda maior do mundo em produção e exportação, tem, indubitavelmente, um papel a cumprir no cenário econômico do País.
Disso tudo decorre uma grande responsabilidade para o setor avícola. Ele não tem o direito de se omitir no momento em que o Congresso continua tentando chegar a uma proposta definitiva sobre a reforma tributária. Os produtores avícolas sabem avaliar a extensão dos benefícios que poderiam advir para a população mais pobre se os alimentos não fossem tão fortemente tributados no Brasil.
Eles também têm o dever de apontar aos governantes brasileiros os sérios prejuízos causados ao País pela falta de uma política agrícola consistente, que guarde coerência com as condições de clima e de território do Brasil. O setor avícola tem ainda a obrigação de apoiar o governo brasileiro nas negociações da Rodada do Milênio.
- ZOÉ SILVEIRA DAVILA é presidente da União Brasileira de Avicultura





