Confronto entre PM e invasores deixa 64 pessoas feridas no Pará
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Belém - Um confronto entre 120 policiais militares e pelo menos 400 invasores, durante a desocupação de uma área de 80 hectares na localidade conhecida por Aurá, em Ananindeua, município da região metropolitana de Belém, resultou em 64 feridos. Segundo a assessoria da Polícia Militar, 54 homens da corporação saíram feridos a pedradas, pauladas e golpes de faca, quatro deles em estado grave. Seis líderes dos invasores foram presos e levados para a Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE).
Os leitos do hospital da PM foram poucos para tantos feridos, que tiveram de ser transportados para outros hospitais de Belém. O soldado Eliclei Alves de Souza foi atingido no olho durante o confronto e pode ficar cego.
Entre os invasores dez ficaram feridos e foram atendidos na capital paraense. Três deles sofreram traumatismo craniano. Duas mulheres grávidas e uma criança de oito anos estavam entre os feridos no confronto com a PM.
O invasor Pedro Paulo dos Santos Silva foi atingido no olho por uma bala de borracha da PM e deveria ser operado ontem. O motorista da TV Record de Belém, Edivaldo Oliveira, levou um tiro no braço e foi internado no Hospital Anita Gerosa, em Ananindeua.
O comandante-geral da PM, coronel Mauro Calandrine, admitiu que seus homens foram apanhados de surpresa pela reação dos invasores. Ele afirmou ter obtido informações de que os invasores haviam formado uma milícia armada para esperar a chegada dos militares. Calandrine disse que uma nova operação militar no Aurá para a retirada dos invasores ainda não tem data para acontecer.
De acordo com os invasores, a culpa pelos incidentes foi toda da PM. A tropa chegou ao local e começou a espancar alguns moradores, provocando a revolta e a reação violenta da comunidade. Eles agiram de maneira arrogante, batendo em que estivesse pela frente, inclusive em mulheres e crianças, contou Osmar Ferreira. Ele disse que os invasores usaram as pedras e outros objetos para se defender.
Este é o primeiro grande confronto que envolve a PM do Pará seis anos depois do episódio de Eldorado dos Carajás, no qual 19 trabalhadores rurais sem-terra foram mortos por 150 militares durante a desocupação da Curva do S, na rodovia PA-150, no sul do Estado.


