Conflito incontornável
Embora a pressão de comerciantes pela manutenção da ''Lei da Muralha'', restrições a megaempreendimentos num grande quadrilátero além da área central de Londrina, se justifique no argumento de que ele é fundamental para um determinado módulo empresarial, a matéria deve ser decidida por critérios técnicos e urbanísticos e não políticos. Daí porque ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) caberá a definição em torno do assunto, já que ele deve zelar pela melhor doutrina e filosofia em função do conteúdo do Plano Diretor.
Uma cidade é dinâmica, ainda mais quando tem função polarizante como é o caso de Londrina e se não pode ficar na dependência de módulos empresariais, se pequenos ou gigantes, tem o dever de preservar, o quanto possível, a qualidade de vida e, se possível, buscar até o ideal da sustentabilidade. Como a democracia é a representação dos interesses não é fácil conciliar as demandas em choque e exercer um papel de acomodação, o que aliás se repete nos conflitos em torno de parâmetros para recuo de edificações, direito de vizinhança, luminosidade, aeração e fixação de gabaritos.
Indispensável, porém, é que os que se julgam prejudicados façam como o segmento empresarial que foi ao prefeito Barbosa Neto para abrir o jogo e evidenciar os ônus que sofrerá, alegando o peso da atividade em termos de renda interna. Quem dá a dica é o Plano Diretor e quem o interpreta é que pode formar o juízo de valor adequado, obviamente sujeito a erro, como tudo se dá na ''Era da incerteza'' como a definiu John Galbraith.
Quando a cidadania participa tudo fica mais nítido e os interesses absconsos, escondidos, afloram. Daí a necessidade dessas manifestações estarem fundadas na razoabilidade. A política de usos do solo é algo que deve mensurar a gestão do espaço comum e isso não é monopólio de especialistas, mas campo de debate, análise e pesquisa de todos. É nessa diversidade que se busca a unidade.





