Confiança e a cautela
A redução da Selic marca uma mudança de direção da política monetária, mas os riscos à inflação e à economia ainda recomendam passos moderados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de agosto de 2026
A redução da Selic marca uma mudança de direção da política monetária, mas os riscos à inflação e à economia ainda recomendam passos moderados
Folha de Londrina 
A redução, por parte do Copom (Comitê de Política Monetária) da taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano era esperada pelo mercado, mas podemos dizer que vem cercada de cautela. Trata-se de um corte modesto, insuficiente para alterar imediatamente o custo do crédito ou impulsionar de forma significativa a atividade econômica. Seu principal efeito está na mensagem que transmite: o Banco Central enxerga espaço para iniciar um processo gradual de flexibilização monetária, sem perder de vista o compromisso com o controle da inflação.
A inflação permanece acima da meta, enquanto a atividade econômica mostra sinais graduais de moderação. Nos últimos anos, o Brasil conviveu com juros elevados como resposta ao avanço dos preços. A estratégia foi eficaz para conter parte das pressões inflacionárias, mas teve um custo elevado para famílias, empresas e investimentos. Crédito caro, consumo retraído e projetos adiados tornaram-se consequências inevitáveis de uma política monetária restritiva. Agora, com a inflação dando sinais de desaceleração, surge a expectativa de que o País possa iniciar uma nova etapa.
Mas o Banco Central lembra que esse caminho está longe de ser livre de obstáculos. As incertezas geopolíticas, a volatilidade dos mercados internacionais, o comportamento dos preços das commodities e os riscos fiscais internos continuam compondo um cenário que exige equilíbrio e sabedoria. Some-se a isso o fato de que as expectativas de inflação ainda permanecem acima da meta, indicando que a confiança dos agentes econômicos precisa ser consolidada.
Ao justificar a redução da Selic, o Banco Central afirmou que o corte é compatível com a estratégia de levar a inflação de volta ao redor da meta, ao mesmo tempo em que contribui para suavizar as oscilações da atividade econômica e favorecer o nível de emprego. O comitê, porém, sinalizou que as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos e reiterou que a intensidade do ciclo de cortes será definida com base nas novas informações sobre inflação, atividade e expectativas.
Vamos torcer para que esse movimento inaugure uma trajetória consistente de redução dos juros, sustentada por fundamentos sólidos.
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