Confesso! Sinto falta de notícias sobre a Frente de Libertação dos Anões de Jardim (FLNJ), que deu origem à Associação dos Libertadores de Anões de Jardim (ALAJ), uma entidade sem fins lucrativos que luta pela libertação de todo o tipo de ser que habita os jardins das casas. Um grupo sensibilizado com a crueldade feita com os gnomos aprisionados em jardins, sem chances de morar nos bosques onde podem formar aldeias ou cidades. Nunca entendi por que esta ação revolucionária ainda não conseguiu instalar uma célula no território brasileiro, com seus 8 milhões de quilômetros quadrados e enorme influência sobre toda a América Latina. Talvez aqui pudéssemos criar uma Frente de Enclausuramento de Anões do Orçamento, mas esta já seria uma outra história.

Fato é que a ideologia da FLNJ e do MENJ Mouvement d'Emancipation de Nains de Jardin (aos interessados que leiam em francês, vale visitar a página www.menj.com) inspirou a criação da ALAJ, unindo esforços revolucionários para resgatar anões em algum jardim, pátio ou onde quer que eles estejam aprisionados e libertá-los! , sem distinção de tamanho, raça ou espécie.

Continuo vendo não somente anões em jardins como anões à venda nos mais diversos pontos da cidade de São Paulo. Ali na Eliseu de Almeida, por exemplo, a situação é vergonhosa, visto que os gnomos não só estão sendo comercializados como em condições de exposição indignas, pois empilhados de forma humilhante. Onde estão os grandes repórteres, o que fazem as redes de TV, as revistas semanais que não dão a devida cobertura a essa massa injustiçada?

Eis que neste domingo, 26 de janeiro, modorrento e chuvoso, finalmente algo parecido à FLNJ surgiu. A boa nova escolheu exatamente o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, para se revelar. Dominical como um belo manjar de amêndoas, a seção gaúcha do Movimento dos Confeiteiros sem Fronteiras entrou em ação durante uma coletiva de imprensa e arremessou uma torta na cara do ex-guerrilheiro José Genoíno. Este, inicialmente, considerou a ''tortada'' como uma manifestação democrática mas, conhecedor como é das ações de esquerda, acabou classificando a obra como ''um ato desesperado e que não condiz com a postura da esquerda''.

Até que pode ser justa a análise do presidente do PT, embora o Manifesto dos Confeiteiros sem Fronteiras possa considerar injusto ele simplesmente limpar o rosto e não tecer qualquer comentário sobre a qualidade da iguaria. Afinal, o lema ''muerde y huye, sin dar descanso al enemigo'' (morde e foge, sem dar folga ao inimigo), como se dizia nos anos em que ele era militante da esquerda, na situação vivida melhor ficaria com um ''muerde y ruge, como las tripas que rugen de hambre''. Ou seja: morde e alardeia, como as tripas que roncam de fome.

ROBERTO BARRETO é jornalista em São Paulo

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