Mapas são representações, símbolos de poder e saber (Harley, 2009). Interpretar os detalhes da cartografia do Norte do Paraná, na transição CTNP à CMNP, é identificar discursos, marcas e significados.

Inicialmente. Os mapas da CTNP/CMNP eram publicados com o título maior, o nome da empresa: “Cia de Terras Norte do Paraná” ou “Cia Melhoramentos Norte do Paraná”. É possível dividir a atuação da CTNP e CMNP em fases: 1) fase inglesa: CTNP de 1925 a 1944/ 1945 a 1950 e 2) fase brasileira: CMNP a partir de 1951.

Existiram várias estratégias de migração/atualização de uma Planta CTNP para uma Planta CMNP. Talvez a mais simples tenha sido a mudança apenas do nome da Colonizadora no título da Planta.

Um exemplo. Na Planta Parcial N.1 (CTNP, 1937), foi simplesmente substituído o nome de CTNP para Cia Melhoramentos do Norte do Paraná (CMNP, [1951] ). Foram mantidos todos os outros detalhes dessa Planta N.1 entre Londrina e Apucarana: a escala 1:80 000, o símbolo do Norte Verdadeiro NV com a rosa dos ventos no centro (marca do geodesista Razgulaeff), a ferrovia CFSPP, patrimônios, glebas, colônias de imigrantes e lotes rurais.

Possuir um mapa detalhado era ter controle e domínio sobre as terras novas que iam sendo anexadas conforme os planos traçados.

Outra estratégia era reforçar a ligação CTNP/CMNP. A “Planta Parcial N.1 da Cia Melhoramentos Norte do Paraná (1955) trazia como lembrete o subtítulo: “anteriormente Cia de Terras Norte do Paraná”. E completava: “Fundada em 1925. Área total 515 000 alqueires paulista. Contém dados estatísticos de 1.1.1955”. Para a CMNP, neste caso, havia necessidade de reforçar a continuidade das atividades da companhia colonizadora anterior.

Finalmente. As Plantas de Caminhamento (levantamento) da Zona do Ivahy realizados pelo topógrafo Kuma (1947), mostram serviços feitos para a Cia de Terras Norte do Paraná. A colonização seguia ao mesmo tempo em várias frentes, em vários ritmos. Devido à distância, nem sempre as informações entre a sede e as frentes eram sincronizadas.

É possível afirmar que, num território de grande extensão, silêncios e distorções, intencionais ou não, marcaram a cartografia da colonização no Norte do Paraná. Houve, no entanto, continuidade no plano de glebas e patrimônios, reforçando a estrutura do empreendimento de colonização.

Humberto Yamaki, coordenador do Três Boccas Laboratório de Paisagem

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