Os novos governantes preparam-se para assumir em janeiro e as cobranças já começaram. É natural que os brasileiros tenham pressa no cumprimento de promessas eleitorais. De tão crônicos, problemas como fome e desemprego tornaram-se agudos.
O que não cabe é o oportunismo político-partidário, de uns, e a falta de bom-senso, de outros, em querer que o ''herói salvador'' recém-instalado no Poder, seja do Paraná ou do Brasil, resolva em alguns meses problemas complexos que ficaram insolúveis anos, décadas.
Quem mora ou já morou em condomínio sabe como funciona. Quando a administração é ineficiente, a conta é alta para todos e os serviços, precários. O mau gerenciamento, com gastos abusivos, despesas impensadas, compras superfaturadas, prioridades mal traçadas e, nos casos mais graves, desvio de dinheiro, pesa para todos no fim do mês.
Se o condomínio decide trocar o comando, a nova administração precisa de algum tempo para pôr a casa em ordem. A taxa não vai cair no vencimento seguinte. É preciso pagar faturas, renegociar serviços mal orçados, honrar multas por atrasos, quitar dívidas trabalhistas. Só aos poucos, se houver administração eficiente, os resultados aparecem.
Da mesma forma, ninguém assumirá o Estado ou o País em condições de implantar no dia seguinte os seus projetos próprios de administração, a menos que rompa contratos vigentes, desconsidere o passado recente e decrete o calote generalizado. Só que isso teria, para os ''condôminos'', o custo alto do corte do crédito.
A sociedade tem o direito sagrado de cobrar e fiscalizar, desde o primeiro dia dos novos governos, o cumprimento dos compromissos de campanha. Promessa é dívida, e isso tem que começar a valer também para a classe política. Mas é sensato dar tempo para que as mudanças se viabilizem, se o que se quer são resultados. O Nobel de Literatura José Saramago recomenda que não se tenha pressa, mas que não se perca tempo. O conselho pode servir para os brasileiros neste momento de transição.
Ruth Meira

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