Por todas as maneiras a pena de morte deve ser condenada, embora alguns países a adotem, incluindo a poderosa nação norte-americana. Porque essa fórmula não tem alcançado o resultado esperado, que é a diminuição da criminalidade. Portanto, não tem servido como exemplo àqueles propensos aos atos ilícitos, que continuam cometendo-os e enchendo as penitenciárias. Tem-se declarado neste espaço de opinião que uma sociedade que se proclama sã e cristã não pode alimentar idéias de extermínio – de bandidos ou de quem quer que seja – porque isto é o que eles fazem, e o fizeram agora de forma brutal, no Brasil. Os caminhos de um povo que se quer civilizado deve ser o da salvação do homem, não eliminá-lo. Colocar os delinqüentes perigosos no paredão seria um procedimento fácil, mas não digno de uma sociedade que tanto condena os radicalismos e que tem se pautado, em muitos campos, por salvar vidas e ressocializar pessoas que estão à margem do bom comportamento. Se um menor delinqüente deve receber assistência, para que saia do mundo em que se encontra, o criminoso adulto deve receber o mesmo tratamento. O grau de periculosidade não deve prevalecer como julgamento numa tarefa dessas. Ou há um propósito de recuperar essa gente, ou não há, e ser for este o caso, então a sociedade tem de decretar-se falida. Ser a favor da execução sumária de bandidos ‘‘em certos casos’’, como muitos defendem, não elimina a figura do revide por idêntica violência. Ademais, o executor também comete um crime – porque a ninguém é dado matar – e não importa a tipificação desse ato, pois de qualquer modo está se levando à morte um semelhante. As razões não justificam os meios. Além do mais, há uma consciência, embora ainda remota, de que as misérias sociais são indutoras da criminalidade – embora nem todo o ser miserável derive para a bandidagem. E a pobreza, no Brasil e no mundo, tem múltiplas causas, uma delas a injustiça. Que tem origem em indolências pessoais, mas também em maus governos e no meio social. Se há muitas condenações à morte pela fome e pela inanição, o que macula a condição humanitária, que deve ser ponto fundamental dos homens, a morte institucionalizada é outro contra-senso e fere todos os princípios da religiosidade brasileira. A violência dos bandidos não é a única que acontece neste país, e se este argumento não justifica nada, nem faz melhores os perigosíssimos delinqüentes que assaltam e exterminam, idéias extremadas têm o sabor sinistro de vingança da sociedade. Ora, os bandidos destes dias sangrentos fizeram o mesmo com os policiais, que para eles são os grandes inimigos. Todo o esforço deve ser para aprofundados estudos, de parte das pessoas inteligentes e sábias deste país, para diminuir as desigualdades sócio-econômicas e, assim, também diminuir os atentados contra o patrimônio e os assassinatos, ao tempo em que será necessário repensar os sistemas penitenciários, de forma a ressocializar esses indivíduos à margem da civilização. Esta a desafiadora tarefa, que é para gente grande e não para simplistas defensores de penas capitais.

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